Um olhar sobre a celebração dos Fiéis Defuntos

Homenagear a memória dos que já partiram é um ato praticado em diferentes culturas e religiões.

Um olhar sobre a celebração dos Fiéis Defuntos
Maisa Bastos
02 de novembro de 2022

A morte não é o fim da nossa existência. A morte é uma passagem. “A morte não é nada. (…) Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho (…)” (Santo Agostinho).

Hoje celebra-se o dia dos fiéis defuntos, dia em que muitas pessoas vão para os cemitérios rezar e levar oferendas aos seus entes queridos que já faleceram. A data e a forma como é celebrado o dia de fiéis defuntos e homenageado o ente falecido varia conforme a religião e cultura.

Desde os primeiros tempos, a igreja Católica honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos. (Catecismo da Igreja n.º 1032)

Para o pe. Rafael Brito da Arquidiocese de Belém do Pará, Brasil, “esta data evoca muita saudade, mas sobretudo, é uma celebração de esperança em vista da vida eterna e também de caridade fraterna para com os irmãos e irmãs que já deixaram esta vida e que antes de entrar no céu passam por um estado de purificação chamado de purgatório”, como ensina o Catecismo da Igreja Católica “os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida a sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrarem na alegria do Céu”.

No Hinduísmo a homenagem aos entes falecidos decorre todos os anos durante 15 dias. O início deste período varia conforme o calendário hindu (lunar) e habitualmente coincide com a segunda quinzena de setembro. Durante esse período realizam-se diversos rituais e Oram com Fé para que a alma consiga entrar no reino de Deus. Em cada dia a homenagem é realizada consoante o estado civil e a data exata da morte. O último dia é reservado para aqueles que partiram e não se conhece estes dados.
No 12º dia, após a cerimónia religiosa em conjunto fazem a refeição, distribui-se doces e oferecem alimentos aos falecidos. Paralelamente, fazem donativos em forma de alimentos para as instituições ou igrejas.

A reencarnação é um dos pilares do Hinduísmo. Neste sentido, após a morte o corpo é cremado e as cinzas são lançadas no rio ou no mar. Com este procedimento a alma liberta-se do corpo e reencarna-se num outro corpo.

Na Comunidade Bahá’i não existe uma data específica para homenagear os seus entes queridos que já partiram.

Os Bahá’ís confortam-se com as palavras de Bahá’u’lláh que os garante que a vida não termina com a morte porque a alma continua a evoluir, e “a morte oferece a todo o crente confiante a taça que é a verdadeira vida. Concede júbilo e é portadora de contentamento. Concede a dádiva da vida eterna”. Para os que já partiram os Bahá’ís têm uma “atitude de oração e de realização de atos piedosos em seu nome” (Karyne Hyde, Comunidade Bahá’í de Portugal), porque acreditam que podem beneficiar “da influência, ajuda e guia das almas santas e espirituais, quando abandonarmos esta forma material”.

Muitos povos encaram a morte como uma transição. Para a maior parte das crenças existe uma continuidade de alguma forma de vida depois da morte. A homenagem pode variar à luz da religião e cultura de cada comunidade.

E por isso, segundo o Santo Agostinho “A nossa vida conserva todo o significado que sempre teve: é a mesma de antes; existe uma continuidade que não se rompe”.

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