Acreditar na humanidade - notas breves de uma refugiada afegã em Portugal
Ser uma mulher do Afeganistão e uma refugiada tem muitas dificuldades, mas ser estudante de Universidade Católica Portuguesa é uma felicidade (1).


Norina Sohail
16 de abril de 2025
Norina Sohail, afegã, estudante de Jornalismo na Universidade Católica Portuguesa
É um grande prazer para mim dizer que estou aqui e ter a possibilidade de falar sobre a experiência duma refugiada em Portugal. Ser uma mulher do Afeganistão e uma refugiada tem muitas dificuldades, mas ser estudante de Universidade Católica Portuguesa é uma felicidade.
A vida de uma refugida é uma vida cheia de dificuldades, mas também de entusiasmo. Para um refugiado, não ter de capacidade de falar numa comunidade é normal. As pessoas olharem para nós de uma maneira estranha é normal; muitas pessoas não gostarem de ti é normal, não saber nada sobre as culturas é normal, e muitas outras coisas. Durante o tempo em que vivemos com estas dificuldades, é certo que aprendemos muito e que nos tornamos pessoas diferentes depois dessas experiências.
Quando cheguei a Portugal, pensava sobre todos estes desafios e também sobre a minha família e amigos no Afeganistão, porque não queria (não quero) esquecer as pessoas do meu país, especialmente as mulheres. Portanto, havia duas coisas muito grandes para fazer: viver em Portugal sem deixar de ajudar as pessoas no Afeganistão.
Durante de primeiro ano em Portugal, em que trabalhei na agricultura, em Mértola, os meus pensamentos procuravam possibilidades de ajudar pessoas no Afeganistão. Sabia que se me tornasse jornalista podia ajudar as minhas pessoas. Mas sendo refugiada não era fácil estudar em Portugal. Procurei muitas universidades, mas disseram-me que, como refugiada, não era fácil, especialmente devido às dificuldades como a língua.
Finalmente, soube da possibilidade das bolsas para refugiados na Universidade Católica Portuguesa. Soube nesse momento que, finalmente, o caminho estava aberto para mim e podia começar.
Quando eu comecei o primeiro ano foi difícil, mas as professoras da Universidade simplificaram o caminho para mim. Tenho aprendido muito na Católica. As professoras não só me têm acompanhado no cursos na universidade, como também me têm ajudado na minha vida pessoal, como quando eu queria arrendar um quatro, e muitas auras coisas.
Continuo a aprender e também tenho tentado ajudar pelo menos algumas pessoas no Afeganistão. Estou empenhada a trabalhar no processo de duas mulheres afegãs, que desejam vir para Portugal, e também estou a trabalhar em duas reportagens: uma sobre as mulheres no Afeganistão e outra sobre a vida dos afegãos no Irão. Espero que estas reportagens possam fazer ouvir a voz das minhas pessoas no Irão e no Afeganistão.
Continuo a tentar ter uma vida boa em Portugal, e também tentando ajudar as minhas pessoas no meu País, independentemente de quantos desafios vão surgir no meu caminho.
Para concluir, quero dizer que a vida não é fácil, especialmente quando estamos fora e longe da nossa Casa. Mas se temos as pessoas que acreditam na humanidade, podemos passar todos desafios com entusiasmo e um sorriso no nosso rosto.
