Sinais do tempo que passa

A Igreja, os católicos e os vicentinos em particular, têm aqui uma importante missão, no aconselhamento e na educação das pessoas, fazendo e sendo diferentes para serem referência para todos, como o foram no cumprimento das normas do confinamento.

Sinais do tempo que passa
Manuel Carvas Guedes
21 de maio de 2021

O Mundo girava convencido e afoito na sua marcha. Os senhores que mandavam, possessos de poder e nutridos de convencimento, lá iam gerindo a bel-prazer, traficando influências e fazendo negócios; negócios de onde os pobres eram excluídos, não raro espezinhados, vendendo promessas a troco de nada; vendendo-lhes ilusões e armas para combaterem e se aniquilarem uns aos outros.

Os senhores do poder, através de manigâncias, impunham-se e aqui e acolá, lá iam alterando o jogo e as regras, para permanecerem nos lugares e nos cargos a troco de promessas falaciosas e de mentiras requintadas que os povos iam digerindo na expectativa de vida tranquila e mais facilitada. Tudo ia correndo com mais ou menos sossego, ainda que com nervoso estampado e com recalcamentos de injustiça visíveis e sustentados com factos preocupantes.

De quando em vez ocorriam uns estilhaços, mortes, sirenes estridentes e corridas desenfreadas aos hospitais e sobressaltos bastantes, mas a vida corria e tudo se desenrolava aparentemente com tranquilidade.

Na economia e finanças tudo ia correndo com calma e algum otimismo, pese embora os rendimentos e os salários mínimos, as dificuldades alimentares e habitacionais em algumas zonas do globo, que os servidores dos pobres e algumas ONG iam colmatando. Tudo era pacífico...

As empresas iam dando lucros e aumentando os seus clientes; os bancos, através de taxas e taxinhas, lá iam aumentando as suas margens e os saldos anuais. Até no ensino tudo parecia correr bem. Os doutorados da mais diversa ordem iam aumentando e até as notas de português e de matemática estavam a subir, havendo cada vez mais escolas e colégios a subir no ranking. Enfim, tudo tão bem que até as contas do Estado estavam finalmente certas e davam lucros!...

Só que, de repente, tudo se alterou. Tudo foi posto em causa. O emprego, a estabilidade profissional, a religião e até a estrutura familiar tremeram de susto. Tudo por causa de uma microscópica figura, altamente perniciosa e mortífera. Tudo abanou, os Estados, as estruturas financeiras e sociais, tudo ruiu e tudo foi posto em causa, empobrecendo as sociedades, e as pessoas, para as quais os Estados e as suas estruturas de saúde nem sempre tiveram respostas à altura e com eficácia. O desemprego aumentou e o rendimento das famílias diminuiu.

A situação ainda permanece, com maior ou menor confinamento, com maior ou menor vacinas aplicadas, zonas há que se mantêm no alarme e sem conseguir responder rapidamente ao efeito pandémico.
Depois de mais algum esforço, tudo se há de normalizar e as estruturas humanas, sociais, financeiras ou outras, voltarão à normalidade e nessa altura se fará o levantamento dos efeitos desta “tempestade”. Quanto custou e quais os prejuízos calculados, sobretudo, quais os efeitos, nas pessoas e nas famílias. Quem vai pagar e quanto nos vai custar a todos?!

Todos seremos chamados e todos teremos responsabilidades na reabilitação social e na solidariedade de uns para com os outros, porque nada poderá ser igual e muita coisa terá de ser alterada. O ambiente terá que ser renovado e a natureza mais respeitada. Aquela que é a nossa Casa Comum, terá que ser respeitada, a poluição terá que desaparecer e o ambiente terá que ser purificado. Os espaços terão que ser alterados e renovados e, sobretudo, as relações humanas e o consumo, terão que sofrer alterações sem retorno. Mais e melhor ambiente social e mais e melhores relações humanas; menor e melhor consumo e até o uso da água terá que sofrer alterações na sua utilização e consumo.

A Igreja, os católicos e os vicentinos em particular, têm aqui uma importante missão, no aconselhamento e na educação das pessoas, fazendo e sendo diferentes para serem referência para todos, como o foram no cumprimento das normas do confinamento.

Tudo tem que melhorar, porque o individualismo e o egoísmo não têm mais lugar entre pessoas civilizadas. Tudo tem que ser alterado e renovado, para que a catástrofe não se repita. Tudo tem que ser repensado e modificado, porque se não, virá outra!... Deus perdoa sempre, os homens vão-se perdoando, mas a natureza, não perdoa nunca. Ouçamo-la!...

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