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Leadership: origem, eclipse e redescoberta

No contexto da Igreja, a dimensão pessoal da liderança encontra a sua plenitude na dimensão comunitária: o caminhar juntos de todo o Povo de Deus. Sustentados por um único Senhor, iluminados por uma mesma fé e animados por uma ideia comum de unidade, todos os baptizados participam, por direito próprio, na missão comunitária de guiar, inspirar, anunciar e servir a Deus em toda a criatura.

Leadership: origem, eclipse e redescoberta
Pe. Fernando Lopes
27 de maio de 2026

A liderança, tal como foi vivida por Jesus e manifestada nas suas palavras – «não deve ser assim entre vós» (Mc 10,43) – e, sobretudo, nos seus gestos (cf. Jo 13,5), teve um impacto decisivo na formação dos discípulos e, mais tarde, na configuração das primeiras comunidades cristãs. Durante séculos, em particular durante o segundo milénio da história da Igreja, modelos centralizadores, autoritários, absolutistas e autorreferenciais, acabaram por obscurecer a lógica de liderança que vinha desde o início e que deve presidir e orientar o ser e o agir da Igreja em cada época: a participação conjunta, responsável, consciente e activa dos três sujeitos eclesiais.

A herança doutrinal e espiritual do Vaticano II e o processo sinodal, instituído por Paulo VI e continuado pelo Papa Francisco, criaram as condições para recuperar um estilo antigo de leadership: próxima, partilhada, relacional, sinodal e colegial, capaz de envolver todo o Povo de Deus em dinâmicas de participação, corresponsabilidade e decisão. Trata-se de uma liderança, testemunhada por numerosos exemplos da Igreja antiga, na qual não há espaço para protagonistas isolados, mas em que todos os baptizados, enquanto sujeito colectivo, assumem a responsabilidade comum da missão eclesial: «anunciar o Evangelho a toda a criatura» (LG 1).

A liderança não pertence apenas a alguns, nem se reduz a um acto isolado. Todos os homens e mulheres exercem, de algum modo, liderança. Esta, seja para o bem ou para o mal, nunca se limita a um gesto único, mas envolve a totalidade do que se é e do que se faz ao longo da existência. Trata-se, portanto, de um processo continuo(1).

Neste âmbito, importa distinguir entre leadership e management. O líder é aquele que orienta e inspira, muitas vezes pelo próprio exemplo. O gestor é quem administra projectos e estruturas. Enquanto o líder gera seguidores, o gestor coordena subordinados. Embora a função de gestão seja relevante, na Igreja – e como discípulos de Cristo – os fiéis são chamados, antes de tudo, a exercer a liderança(2).

No contexto da Igreja, a dimensão pessoal da liderança encontra a sua plenitude na dimensão comunitária: o caminhar juntos de todo o Povo de Deus. Sustentados por um único Senhor, iluminados por uma mesma fé e animados por uma ideia comum de unidade, todos os baptizados participam, por direito próprio, na missão comunitária de guiar, inspirar, anunciar e servir a Deus em toda a criatura.

Surge, portanto, a necessidade de reconfigurar a figura e a forma dos líderes eclesiais, de modo que espelhem a figura de Cristo e assumam a sua forma de vida: a compaixão, a escuta, o perdão, o discernimento, a amizade, a empatia, o amor e o dom da vida. Só desta forma, na Igreja, se conseguirá sustentar a comunhão, discernir o sentido do caminho, assegurar a fidelidade às Sagradas Escrituras e à Tradição e conduzir, com «παρρησία» evangélica, a Igreja no terceiro milénio.

Nos próximos artigos, e porque Cristo constitui o fundamento e o paradigma da liderança eclesial, apresentarei, a partir da sua vida e modo de agir, os cinco princípios que devem iluminar e configurar, hoje, o modelo de liderança própria de uma Igreja sinodal.

(1) Cf. LOWNEY, Leader per vocazione, 15.
(2) Cf. Cicchese, «Virtù umane del leader», 150-151.
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