Lições bíblicas

Quando alguém tem o desejo de ver Jesus, isso pode ser o início de uma grande surpresa. Com efeito, nos dias de hoje, a indiferença religiosa tem necessidade de um copo de sede em ordem a um copo de água. O simpatizante que, pela mediação da Igreja, desperta para a fé, tem pela frente um misterioso caminho na descoberta do mistério de Cristo.

V Domingo da Quaresma

Estimados irmãos, naquele tempo, como diz o Evangelho de João, alguns gregos fizeram este Jesus”. Ficámos com imensa curiosidade sobre as razões que moveram estes gregos à apresentação de tal pedido. Um pouco antes desta narrativa o Evangelista João apresenta o mediático milagre da ressurreição de Lázaro e a aparatosa entrada messiânica de Jesus em Jerusalém. Será que o desejo daqueles pedintes foi movido por terem presenciado o milagre de alguém que tem poder para ressuscitar os mortos? Ou será que estavam maravilhados com a mobilização sociológica da multidão em torno da Entrada de Jesus em Jerusalém? Uma coisa é certa: eles estavam profundamente desejosos de ver Jesus. E quando alguém tem o desejo de ver Jesus, isso pode ser o início de uma grande surpresa. Com efeito, nos dias de hoje, a indiferença religiosa tem necessidade de um copo de sede em ordem a um copo de água.

O simpatizante que, pela mediação da Igreja, desperta para a fé, tem pela frente um misterioso caminho na descoberta do mistério de Cristo. Esse percurso irá constituir um novo nascimento. Veja-se, quase em resposta ao pedido dos gregos, a afirmação de Jesus: “Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto”. Este dinamismo pascal diz-se da Páscoa do Senhor, mas diz-se também, misticamente, daquele que é incorporado na identificação com Cristo: “quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna”. Ou seja, ver Jesus não é outra coisa senão contemplar e experimentar a manifestação da glória de Deus. O catecúmeno, pela pregação, vai penetrando nesses mistérios, e o neófito, pela iluminação, mergulha nessa experiência pascal de resgate: “atrairei todos a Mim”.

À luz deste novo nascimento se entende a “aliança nova” de que fala o Livro de Jeremias. Para os que foram revestidos da Veste Branca, ver Jesus não constitui apenas a satisfação turística de uma curiosidade cultural ou sociológica; constitui a assimilação de uma nova identidade impressa na alma e gravada no coração. O batizado vê Jesus com olhos de Discípulo e por isso canta e louva insistentemente: “Dai-me, Senhor, um coração puro”.

Entretanto, esta eucaristia, constitui a oportunidade de refontalizarmos a nossa identidade cristã. Aqui nos é dada a oportunidade de revermos o Senhor, de o escutarmos, de o contemplarmos e de o recebermos. Aqui fazemos a experiência da fé da Igreja e revigoramos os nossos laços na comunidade dos crentes. Ver Jesus é, também, contemplar o mistério da sua Igreja.

Tal como o Mestre, também nós somos convidados, na Oração Universal, a dirigir ao Pai preces e súplicas para que o mundo experimente o desejo de ver Jesus. No decurso desta semana iremos celebrar a Anunciação do Senhor. Com efeito, o Anjo do Senhor anunciou a Maria e ela concebeu do Espírito Santo. Hoje, como sempre, é necessário implorar de Deus uma epifania permanente; em breve, na Oração Universal da Sexta-feira Santa, iremos orar pelos que não crêem em Cristo, a fim de encontrarem a verdade, e por nós, Filhos de Deus, a fim de entrarmos no mistério de Cristo e de o viver fielmente na caridade. Que a Virgem de Nazaré, Senhora do Pé da Cruz, interceda por nós.

Pe. Mário Ribeiro, CM