Lições bíblicas

A alegoria da videira e dos ramos (Jo 15, 1-8), deste Domingo, é tão bela e luminosa que domina a nossa atenção. O pano de fundo para a solene afirmação de Jesus: Eu sou a videira verdadeira, bem poderia ser a representação de uma videira de ouro com ramos e cachos, que, segundo conta Flávio Josefo, estava representada sobre a porta principal do Templo, em Jerusalém.

V Domingo da Páscoa

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A alegoria da videira e dos ramos (Jo 15, 1-8), deste Domingo, é tão bela e luminosa que domina a nossa atenção. O pano de fundo para a solene afirmação de Jesus: Eu sou a videira verdadeira, bem poderia ser a representação de uma videira de ouro com ramos e cachos, que, segundo conta Flávio Josefo, estava representada sobre a porta principal do Templo, em Jerusalém. Mas o contexto destas palavras é o da Última Ceia e, portanto, de uma especial despedida.

A imagem bíblica da «videira» designava o povo escolhido e tantas vezes infiel. Jesus inaugura um novo povo de Deus; por isso diz que Ele é «a verdadeira «videira» que com os seus discípulos forma uma unidade vital pois nela se vive a própria vida de Cristo, em ordem a dar «fruto» para a vida eterna.
Esta íntima comunhão exprime-se com o insistente apelo: «permanecei em Mim». As palavras vide, ou videira, tanto designam a árvore toda, como a cepa ou o tronco Permanecer em Cristo aparece como uma questão de vida ou morte: «sem Mim, nada podeis fazer»; caso contrário, é-se ramo seco, que não pode dar fruto; só serve para ser cortado, e lançado ao fogo.

Jesus apresenta-se, pois, como a "Videira verdadeira", capaz de dar os frutos que Israel não produziu. Jesus é o tronco (a cepa), nós somos os ramos e o Pai é o Agricultor. Ele cuida da videira, poda os ramos para produzirem mais. Os ramos secos corta-os e lança-os ao fogo.

Duas coisas são necessárias para que os ramos possam apresentar os frutos esperados:
- A seiva da videira, que é Cristo, pois "sem Mim nada podeis fazer". O texto fala 8 vezes de "permanecer em Cristo" e 6 vezes de "dar frutos". Se não "permanecermos" unidos a Cristo, recebendo esta seiva, ficaremos ramos secos e estéreis, que serão cortados e excluídos.
Poderão ser eficazes os nossos trabalhos e fecundos os nossos esforços sem a seiva desta videira?
- Outra coisa necessária é a poda: Quem não viu já a poda duma vinha ou duma ramada? As gotas que saem dos cortes parecem lágrimas, chorando de dor, “para dar muito fruto”. Sem a poda, poderá haver muita folha, mas pouco fruto (“muita parra, pouca uva”). Permanecer em Cristo significa também perseverar com Ele nas dificuldades, nas purificações. Aceitamos as podas?
Deus, como trabalhador da vinha, pela sua Palavra, põe às claras as nossas limitações e falhas… e poda o nosso egoísmo, orgulho, falsidade. Por vezes, as pessoas afastadas, com críticas duras à Igreja, podem tornar-se também uma poda salutar, embora dolorosa, um desafio a aceitar com humildade e a aproveitar positivamente.

A palavra «permanecer» não significa apenas «ficar junto de», «passar um dia com», «residir», «habitar», mas significa «viver com». Este tema circula em toda a Bíblia. O grande sonho dos homens é ver a Deus, viver com Deus, morar na Sua Presença. A parábola da videira e dos ramos convida-nos, de modo particular, a permanecer unidos a Cristo, a viver com Cristo. É claro que um ramo, se não permanece unido à videira, não pode “dar fruto”. A repetição desta expressão indica insistência e importância. Jesus vê-se como a videira com os ramos carregados de muitos frutos.
Permanecer em Cristo implica estar unido a Ele pela oração, pelo trabalho, pelo apostolado. Quem se separa de Cristo torna-se estéril. Quem se afasta do caminho, da verdade e da vida acaba por secar e não dar fruto. Aceitemos o convite que Jesus nos dirige e permaneçamos unidos a Ele na fidelidade à nossa vocação familiar, profissional, religiosa, sacerdotal, a fim de produzirmos frutos de vida eterna e sermos seus verdadeiros discípulos.

A primeira leitura (At 9,26-31), fala-nos da chegada de Paulo a Jerusalém, após a sua conversão, para se juntar aos discípulos da comunidade mãe. Barnabé (que quer dizer: «filho da consolação), apresentou Saulo aos Apóstolos, desfazendo assim o receio de que ele fosse um falso irmão. O mesmo Barnabé, mais tarde, o irá buscar a Tarso para o trabalho apostólico em Antioquia da Síria, onde os discípulos começam a chamar-se “cristãos” e a fé se expande extraordinariamente. Daqui partirão ambos para a primeira grande viagem missionária.

O Cristianismo não é só um encontro pessoal com Jesus Cristo, é também uma experiência de partilha da fé e do amor com os irmãos. Também nós, por vezes, podemos encontrar dificuldade para permanecer em comunhão com os irmãos. Diante das contrariedades, somos tentados a abandonar tudo. Por outro lado, quantas pessoas são vistas com reservas ou desconfiança na Comunidade e não encontram um "Barnabé" que as conheça e seja seu “garante” junto dos irmãos. Até que ponto sabemos acolhê-las com alegria e compreensão?

Na 2a Leitura (1 Jo 3,18-24), percebemos que a nossa fé se manifesta através das obras de amor. Permanecendo unidos a Cristo, circulará também em nós a seiva divina que nos fará amar e servir de verdade os nossos irmãos.

Neste 1ºdomingo de Maio, mês dedicado a Nossa Senhora, a Mãe de Jesus e da Igreja, celebra-se em muitos países, e entre nós, o Dia da Mãe.
Na Exortação Apostólica sobre a Família, a “Alegria do Amor”, o Papa Francisco agradece às mães que vivem de acordo com a sua vocação, porque “elas são o antídoto mais forte diante da difusão do individualismo egoísta: Uma sociedade sem mães seria uma sociedade inumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a entrega, a força moral. Sem as mães, não somente não haveria novos fiéis, mas a fé perderia boa parte do seu calor simples e profundo.”
Lembremos todas as mães com gratidão e afeto, confiando-as à proteção de Maria, nossa Mãe celestial.

Pe. Luciano Ferreira, CM