Lições bíblicas

A nossa vida em Deus não é muito diferente da vida destes primeiros discípulos. Também nós vivemos nesta rede social chamada mundo. Também nós procuramos um sentido que ilumine a nossa história. Também nós buscamos um mestre a quem seguir. Como cristãos temos a missão de ser influencers de Deus

II Domingo do Tempo Comum

Ano A | Ano B | Ano C 

Nunca esteve tanto na moda seguir pessoas; pelo menos as redes sociais assim o comprovam. Há pessoas que batem autênticos recordes de seguidores, como Cristiano Ronaldo que tem 254 milhões, a Cristina Ferreira que tem um milhão e meio, a Rita Pereira também com um milhão e meio, a Sara Sampaio com sete milhões meio e por aí fora… São muitos e muitas que se consideram influencers, ou seja, pessoas capazes de influenciar outras pessoas. Mas por que é que estas homens e mulheres têm tantos seguidores? Poderíamos enumerar muitos fatores, mas a vontade, nem que seja inconsciente, de ter uma vida perfeita causa em nós o desejo de seguir, desejando interiormente viver uma vida igual. É nesta ilusão de vidas perfeitas que o ser humano se move. Na ilusão de que só alguns atingem este estado de perfeição, com físicos perfeitos, famílias perfeitas, filhos perfeitos, trabalhos prefeitos e casas perfeitas. Vivemos na ilusão de que a nossa vida não vale nada porque no nosso mundo só existe imperfeição.

O Evangelho de hoje fala-nos também de uma experiência social e mostra-nos todo o processo de seguimento. Dá-nos a conhecer dois influencers, uma rede social, e um grupo de seguidores. Mas como pode ser isto? Vamos por partes:

Em primeiro lugar, temos João Batista, um influencer, que tinha como mensagem dar a conhecer Jesus. Também ele tinha seguidores, não muitos, é certo, mas os que tinha deixaram-no para seguir outro influencer maior, que é Jesus. Se fosse hoje, poderia haver uma verdadeira guerra digital, uma espécie de competição de audiências e de visualizações. Mas não houve, porque João sabia que o seu período era curto e que a sua meta era dar a conhecer o Messias e que, uma vez dado a conhecer, a sua rede social já poderia sofrer migração para a rede de Jesus.

Em segundo lugar, temos Jesus, o maior influencer da história. Começou com apenas doze seguidores, o que dá um sinal de esperança para quem ainda vive a ditadura dos números. O seu método de angariar seguidores era simples: era proporcionando-lhes a experiência do amor. A sua oferta era e é um amor sem limites, mas, sobretudo, um sentido para a vida. E não! Esse amor sem limites e esse sentido para a vida não são oferecidos como uma espécie de livros de autoajuda ou coaching motivacional.

Em terceiro lugar, temos os seguidores, ou seja, aqueles que seguem Jesus. Uns, porque migraram da conta de João Batista, outros porque viram o Messias e ainda outros que o seguiam e seguem porque alguém lhes deu a conhecer Jesus. Independentemente da forma como chegaram a Jesus, surge a pergunta fundamental: por que decidiram seguir Jesus? Num mundo onde a tristeza era grande, onde a vida perdeu o sentido, é muito fácil agarrarmo-nos a algo ou alguém. Eles seguiram Jesus porque fizeram a experiência. Viram o seu mural, vivenciaram as suas stories e, por fim, partilharam na página da sua vida. Não porque Jesus lhes prometera o mundo, mas porque eles próprios fizeram a experiência desse mundo novo que era o Amor de Deus. Num mundo onde só vive quem experimenta, Jesus dá-nos a possibilidade de fazer a verdadeira experiência de vida. Num tempo em que mostramos tudo, Jesus mostra-nos a sua vida, o que é, o que faz e onde vive. Jesus mostra que a verdadeira morada é habitar junto de Deus. A célebre pergunta que faz aos discípulos - que procurais? - é a mesma que faz a Maria Madalena naquela noite de Páscoa. Os discípulos, neste primeiro estado, ainda não têm a resposta. Mas, pouco a pouco, vão descobrir que a morada que procuram em Jesus é a de estar junto de Deus. A morada de Jesus é a Ressurreição, é estar junto do Pai.

À partida, o relato evangélico parece simplista, tal como são as redes sociais. Parece que está tudo à distância de um clique e que não são necessárias muitas coisas para seguir Jesus. E, na verdade, não são. Só basta uma: segui-Lo. Mas tal decisão não é fácil. Pois molda-nos. Exige de nós. A mudança do nome de Pedro é reflexo disso mesmo; uma vez escolhido, Jesus atribui-lhe o nome de Pedro, que significa rocha. Toda o processo de seguimento de Simão Pedro é a configuração de Simão, frágil, duvidoso, impulsivo, para Pedro, rocha firme da fé. Portanto, a resposta pode parecer simples na aparência, mas é muito mais difícil e processual na sua vivência.

A nossa vida em Deus não é muito diferente da vida destes primeiros discípulos. Também nós vivemos nesta rede social chamada mundo. Também nós procuramos um sentido que ilumine a nossa história. Também nós buscamos um mestre a quem seguir. Como cristãos temos a missão de ser influencers de Deus, de mostrar aos outros que existe Alguém, de nome Jesus, que apesar de não ter uma rede social, tem uma rede de discípulos, que passados 2000 mil anos continua a testemunhá-Lo. Tal como fez aos seus discípulos, também Ele pede que lancemos as redes, também Ele pede que nos tornemos pescadores de homens. Hoje diríamos, portanto, que Jesus nos pede para sermos influencers de Deus.
Não nos preocupemos com o conteúdo, esse é sempre bom, tem stories que salvam e curam, tem um mural cheio de promessas de eternidade e, sempre que necessitamos, Ele está sempre lá para um chat de oração a qualquer hora. Basta como Samuel, o jovem da primeira leitura, responder: “Fala Senhor que o teu Servo escuta”.

Pe. João Soares, CM