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A promessa*

14 de Agosto de 2020, por INÊS ESPADA VIEIRA

Bruno Cunha

Inês Espada Vieira

João Pires Silva

Luciano Ferreira

Mafalda Guia

Miguel Carvalho

Pedro Guimarães

Ricardo Cunha

Suzana Ferreira

Na esplanada da Cova da Iria, no santuário de Fátima, brilha ao sol e à chuva uma fina faixa de lajes brancas que rasga o recinto em direção à Capelinha das Aparições. À noite, os candeeiros fazem um pesponto de luzes em volta e há sombras que se estendem fugazes no chão. Às vezes está muito frio, às vezes o sol queima. Às vezes há muita gente, noutras somos só dois ou três. 

 

Contemplando o espaço desde a cruz alta, o olhar do peregrino enche-se de infinito e ignora o certo despropósito da arquitetura italianizante da Basílica de Nossa Senhora do Rosário. Sabe que tem atrás de si a nova Basílica da Santíssima Trindade e não perde muito tempo a pensar se aprecia a sua contemporaneidade. Numa visita anterior, reparou nas estátuas dos papas peregrinos de Fátima, Paulo VI e João Paulo II, e lembra-se que a coroa de Nossa Senhora tem cravada a bala que não matou o santo papa polaco num dos atentados de que foi alvo. 

 

Contemplando o espaço desde a cruz alta, o olhar do peregrino não se perde. Conhece bem o recinto. Sabe ao que vem e ao que veio outras vezes. Veio tantas vezes a Fátima, que nem se recorda bem da cronologia das viagens. Nunca houve a primeira vez, porque desde que se conhece que Fátima esteve com ele. Contou-lhe a avó, veio pela mão dos pais, assistiu na televisão, viajou um dia numa camioneta com toda a freguesia. Já pôs muitas velas a Nossa Senhora. Ali, do lado esquerdo, mesmo ao pé da Capelinha, esperou, para ter a certeza de que a sua vela não se apagava, entre tantas outras; hesitou, nas vezes em que a pira consome indiscriminadamente as velas dos peregrinos. 
Traz na carteira um santinho da Jacinta, guardado entre o cartão da caixa, o bilhete de identidade, e a cautela da lotaria popular que certamente não lhe vai mudar a vida, mas lhe dá naqueles dias um outro sorriso. A Jacinta, tão bonita, com o laço grande e o olhar sério. Mas, sozinho com os seus botões, reza ao Francisco. O terço que traz no bolso já foi benzido muitas vezes pela televisão. Não costuma rezar o terço todo, mas guarda-o na mesa de cabeceira, ao lado das aspirinas e dos lenços brancos bordados com a inicial. 

 

Contemplando o espaço desde a cruz alta, o olhar do peregrino olha em redor e impressiona-se com aquela mulher de joelhos ligados, a quem outra mulher acompanha; suspira de alívio ao comparar-se com aquela família que traz um filho adulto e com uma deficiência bem visível; sente as dores do homem de boina que caminha curvado para o lado que se apoia na bengala; reconhece outras nacionalidades nos cabelos loiros, peles brancas e roupas claras do grupo encostado ao corrimão de um dos acessos; ouve o sussurro do roçar das roupas de quem circula à volta da imagem de Nossa Senhora na Capelinha as Aparições.

 

Ele olha a esplanada, vê os outros, conhece o lugar, sabe com quem está.

 

Mas, sobretudo, sabe ao que vem e ao que veio outras vezes. 
Veio por uma promessa. Ou melhor, por duas promessas: a que ele fez e essa promessa que nasceu há dois mil anos e que, em Fátima, se aproximou dele e o tocou para sempre.

* Artigo publicado pela primeira vez na Revista Mensageiro de Santo António em abril de 2017

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