Lições bíblicas

XVII Domingo do Tempo Comum

Jesus não só ensina fórmulas ou formas de uma verdadeira oração, mas também o conteúdo dessa oração que é a sua própria vida e relação com o Pai.

XVII Domingo do Tempo Comum

Depois dos belos ensinamentos, imagens e referências do verdadeiro discipulado de Cristo, que contemplámos nos últimos três domingos (o profundo texto de Lucas 10, proclamado em três processos: o envio dos setenta e dois discípulos, o bom samaritano e Maria que escolheu a melhor parte, estando sentada a escutar a Palavra de Jesus), eis-nos hoje perante um outro belo tema “A necessidade de Orar”. Uma oração intensa, com símbolos reais e ensinamentos úteis deixados pelo próprio Mestre.

1. Orai assim. (Lc 11, 2)
A liturgia convida-nos a uma atitude orante, num compromisso e diálogo constante com Deus, a exemplo de Abraão nosso Pai na Fé e Jesus nosso Mestre, obediente ao Pai. A oração do PAI-NOSSO revela a relação íntima de Jesus com o Pai, uma relação de confiança e abertura. É fruto de um atrevimento de um dos discípulos em nome de todos. Também hoje, em nosso nome, formula este pedido: “Senhor, ensina-nos a rezar como João Batista ensinou a rezar os seus discípulos!” (Lc 11,1).
A primeira leitura apresenta o exemplo de uma verdadeira oração em forma de um diálogo “face a Face”, no qual o homem sente a necessidade de se comunicar com o seu criador, um diálogo de coração sincero e humilde, de reverência, respeito, mas também com ousadia e confiança. É o diálogo de Abraão que se confronta com a benevolência de Deus, pedindo a sua misericórdia para salvaguardar a dignidade dos justos e o perdão dos pecadores.
O evangelho mostra-nos que a melhor intimidade do homem para com o seu Deus, esta na oração, no diálogo constante e restaurador. Jesus estava em oração em certo lugar e esta atitude impressionou os discípulos e eles pedem para entrar nesta escola da oração de Jesus: “uma escola de contínua configuração de uma identidade, um modo ser e de estar no mundo que é motivado pala fé em Jesus” (Nélio Pita, CARTOGRAFIA DO ENCONTRO, Introdução à vida de oração 2022, p. 47.).

Jesus não só ensina fórmulas ou formas de uma verdadeira oração, mas também o conteúdo dessa oração que é a sua própria vida e relação com o Pai. Diz Jesus que necessitamos da nossa abertura a Deus como filhos amados e servidos por Ele, é preciso sermos confiantes como as crianças confiam nos seus Pais. Pelo Batismo recebemos a graça da novidade filial, tornámo-nos homem novo, renascidos e redimidos para Deus, por isso, Deus é Pai, Paizinho, Abbá. Sentir-se “filho” de Deus que é “Pai” significa reconhecer a fraternidade que nos liga a uma imensa família de irmãos. Implica também a saída radical do nosso egoísmo, individualismo que aliena, superar divisões e construir unidade no amor de filhos do mesmo Pai. Com esta abertura mostrada por Jesus, Ele convida-nos a sermos simples e a partilharmos a nossa vida, a nossa experiência diária com Deus.

2.Se vós, que sois maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai do Ceu! (Lc 11, 13).
Quanto mais a consciência humana, vítima da secularização, esquecer o significado da palavra “Misericórdia”, mais se afasta das virtudes humanas e do presente amor de Deus. É necessário na vida individual e coletiva dar prioridade à dimensão infinita do amor como o Pai celeste faz a todos, independentemente da condição do pecado. Há uma necessidade de resgate de todos, principalmente os mais necessitados. Não nos cansemos de fazer o bem.

3.A tentação
Quando o nosso coração cair é preciso levantá-lo com doçura e ternura. É o melhor modo de aplicar a nossa fé e doçura que nos impede de ficarmos deprimidos por causa das nossas imperfeições e dificuldades. Hoje, com as inúmeras dificuldades de vida, as guerras, as indiferenças ou violações dos direitos fundamentais dos seres humanos, somos tentados a duvidar da mão protetora de Deus. A oração do Pai-Nosso, dá-nos a resposta destas inquietações: Faça-se a tua Vontade.

Com o texto de hoje, Jesus pede que Deus não nos deixe seduzir pelos apelos das felicidades ilusórias, pelos relativismos, individualismos que são formas geradoras de divisões e afastamento de Deus e dos irmãos.
Precisamos de fazer um caminho de conhecimento de nós mesmos para podermos conhecer a essência do amor de Deus que conduz a um desejo cada vez mais profundo, em ser dócil à sua vontade em tudo.

Pe. César Adriano, CM