Lições bíblicas

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

Hoje proclamamos que Jesus Cristo é Rei e Senhor identificado nos pobres, nossos senhores e mestres, cujo dia mundial foi celebrado há oito dias. Senhor das nossas vidas: do nosso passado, do nosso presente e do nosso futuro.

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

Para que serve uma Rainha? Foi esta a pergunta que fiz a um grupo de crianças da catequese na Novena da Imaculada. Uma dessas crianças, depois de todas as outras, levantou o braço e respondeu: “para unir as pessoas”! Gerou-se um silêncio embatocado porque cada um de nós sentiu que esta resposta nos dizia respeito. Que experiência de união tinha aquela criança nos seus pais, na sua família, na sua sala de aula, no seu grupo de catequese, na sua paróquia, na sua vida? Que vivências temos nós de união, ou unidade, neste mundo em guerra, nesta igreja em cisma sinodal, nesta sociedade em consumo natalício, nesta época acusada de individualismo? Só Deus sabe o que vai no coração de cada um!

O reino de que Maria é Rainha é o mesmo reino de que Jesus é Rei: “reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz” (prefácio). Então, para que serve um Rei? Precisamente “para unir as pessoas”. Paradoxalmente o Mestre esclareceu: “julgais que Eu vim estabelecer a paz na Terra? Não, Eu vo-lo digo, mas antes a divisão” (Lc 12, 51). Ora, aquele reino que hoje, mais uma vez, vamos pedir na Oração Dominical do Pai Nosso, constitui um dom que implica um “estado de guerra espiritual” que o aparecimento de Jesus suscita. Com efeito, o Reino dos Céus, à luz do mistério da nossa salvação, implica um “combate espiritual” cujas armas são diferentes do armamento e dos processos de militarização deste mundo: “O meu reino não é deste mundo, não é daqui” (Jo 18, 36). O “fogo bélico” de Jesus é um fogo evidentemente simbólico que pode assumir significados diferentes, conforme os contextos: o Espírito Santo, ou ainda o fogo que purifica e abrasa os corações e que deve ser aceso na cruz: “eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já se tivesse ateado” (Lc 12, 49).

Com efeito, o evangelho de hoje remete-nos para o mistério da Cruz, e a segunda leitura esclarece: “aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus”. No reino de Cristo, de que Maria é Rainha, a paz não resulta das armas do mundo, mas do sangue de Jesus. Não é por acaso que hoje, na oração sobre as oblatas pedimos ao Senhor que, pelos méritos de Cristo, conceda a todos os povos o dom da unidade e da paz; incluindo a paz entre crentes e não crentes expressa na oração das preces: “pela santa Igreja e pelos seus pastores, pelos cristãos de todos os continentes e nações e pelos Judeus, Muçulmanos e descrentes”. Onde houver guerra que eu leve a paz (São Francisco de Assis).

Hoje proclamamos que Jesus Cristo é Rei e Senhor identificado nos pobres, nossos senhores e mestres, cujo dia mundial foi celebrado há oito dias. Senhor das nossas vidas: do nosso passado, do nosso presente e do nosso futuro. Confessar que Jesus Cristo é o Senhor, o único Senhor, e acreditar, no coração, que Deus o ressuscitou de entre os mortos, é garantir a nossa salvação (Rm 10, 9). Por aqui se manifestará o seu reino, a sua glória, que nos cura, que nos liberta e que nos salva. Porque o senhorio de Jesus constitui uma realeza que se exerce no amor, no serviço, no perdão e no dom da vida. No próximo Domingo, celebraremos o primeiro domingo do advento, 27 de novembro, que é também o dia da Manifestação de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Peçamos à Senhora das Graças, Rainha da paz, que nos conceda a grande graça da epifania do Reino de Deus entre nós. Abençoado advento para todos.

Pe. Mário Ribeiro, CM