Lições bíblicas

II Domingo de Advento

Hoje como ontem, a Palavra de Deus quer operar no homem mudanças radicais, opostas àquelas em que se vive no mundo e sociedade de hoje: atitudes mais marcadas pelo amor, justiça, fraternidade, igualdade, respeito pela pessoa humana...

II Domingo de Advento

Irmãs e Irmãos,
Advento é um tempo de conversão. Só convertidos, poderemos celebrar o Natal com verdade, sinceridade e amor. Só convertidos, haverá Natal!...

No Evangelho de São Lucas, João Baptista ensina os homens do seu tempo a receberem o Messias. A Igreja serve-se das palavras e dos exemplos do Precursor para preparar a vinda do Senhor. Esta vinda exige um caminho: a mudança de vida, a conversão:” Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. Isto é, convida-nos à conversão, como condição para recebermos o Messias Salvador. As palavras de João Baptista continuam a ser no mundo concreto de hoje um sinal forte de Deus a apontar-nos a responsabilidade de vivermos os tempos de Jesus Cristo. Advento é, pois, uma chamada a uma vida mais de acordo com a vontade salvadora de Deus. Esta salvação de Deus só poderá chegar quando os corações dos homens forem libertos das amarras da opressão, de qualquer escravidão, livres de egoísmo e de desvios. Somente aí o Messias, o Salvador, o Príncipe da Paz poderá exercer a sua missão de Pacificador e de Redentor. Poderá realizar as transformações construtoras duma sociedade nova.

Por isso, São Paulo, na segunda leitura, convida-nos a ser firmes na fé e irrepreensíveis no modo de viver, para estarmos preparados para o dia definitivo, no fim dos tempos. “Tenho a certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra, há-de levá-la à perfeição até à vinda de Cristo Jesus”. Para Paulo, a força do evangelho é tal que é capaz de criar uma nova sociedade, comprometida com o projeto de Deus, capacitada em discernir o que é melhor para todos. A fé, quando plenamente assumida por nós pode constituir um desafio e uma ajuda para o mundo de hoje. Há, pois, que manter uma atitude de vigilância ativa e confiante: descobrindo a presença de Cristo nos acontecimentos como sinais, que devem ler-se à luz do Evangelho. Aproxima-se a salvação. Mas Deus não pode salvar os homens sem a sua colaboração. Por isso espera que o homem lhe dê uma resposta pela fé e se volte para Ele pela conversão.

Hoje como ontem, a Palavra de Deus quer operar no homem mudanças radicais, opostas àquelas em que se vive no mundo e sociedade de hoje: atitudes mais marcadas pelo amor, justiça, fraternidade, igualdade, respeito pela pessoa humana… Importa, pois, que descubramos continuamente o alcance de Jesus Cristo e do Evangelho, que Ele deixou, para ser a nossa libertação, alegria e salvação.

Desta alegria nos fala o profeta Baruc na primeira leitura: “Jerusalém, deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus”. Com essa frase introdutória à primeira leitura deste domingo, o Profeta Baruc anuncia a restauração da cidade, promovida pelo coração misericordioso de Deus. O Senhor ao ensinar as pessoas a praticarem a justiça, estará a restabelecer uma sociedade justa. Nela as relações humanas serão dirigidas para a paz. A misericórdia de Deus é maior que todas as crises e tragédias humanas. Por isso, Ele não cessa de recriar, de reanimar seus filhos.

Por sua vez, São Lucas mostra João Batista a anunciar a nova sociedade que nasce do batismo de conversão, isto é, nasce de uma profunda mudança de vida, de um voltar-se para Deus, deixando que Ele entre em nós…

pe. João Maria, CM