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A nossa Casa Comum está em perigo

A nossa casa comum é grande e tem espaço para todos, mas nem todos vivem com a mesma qualidade nesta casa. Este é um fator que devemos ter em conta quando lemos o relatório da PBS de 2025.

A nossa Casa Comum está em perigo
Carmo Diniz
11 de março de 2026

A nossa Casa Comum é grande e tem espaço para todos - assim o queiramos - mas a nossa casa comum está em perigo: devemos todos tomar consciência deste facto e atuar.

Uma equipa de 47 cientistas identificou e quantificou 9 processos que, em conjunto, permitem avaliar a situação no nosso planeta. Estes processos são responsáveis pela estabilidade, resiliência e suporte da vida no planeta, alguns têm mais do que uma variável de controle e são: alterações climáticas; alterações na integridade da biosfera; alterações nos sistemas terrestres; alterações na água doce; modificação dos fluxos biogeoquímicos; acidificação dos oceanos; poluição atmosférica; camada do ozono; introdução de novos químicos sintéticos.

A equipa analisou as alterações nestes processos e podemos ver que em 2025(1) os limites de sete destes nove processos foram ultrapassados. Isto significa que a concentração de gases com efeito de estufa está alta, que a perda de biodiversidade é altíssima, que a área de floresta está a decrescer abaixo dos níveis de segurança, que o impacto humano sobre a água nos rios e solos está a aumentar com o risco de provocar secas e cheias, que a utilização de fertilizantes está a provocar o aumento da poluição na terra e na água, que o oceano está mais ácido pondo em risco espécies marinhas, que a poluição do ar está a melhorar lentamente, que a camada de ozono está estável e a mostrar sinais de recuperação, que a introdução de novos elementos como o plástico e outros químicos sintéticos está aumentar com risco ambiental associado.

Este é um resumo do grupo de investigação do projeto Planetary Boundaries Science (PBS) que mais do querer alarmar, quer provocar a nossa ação a partir de uma tomada de consciência global. Não há dúvida neste relatório que foi a atividade humana a responsável pelo impacto nestes nove processos, no entanto esta equipa não tem dúvida do papel essencial da sociedade na procura pela estabilidade. E é neste ponto que cada um de nós pode fazer a diferença.

A nossa casa comum é grande e tem espaço para todos, mas nem todos vivem com a mesma qualidade nesta casa. Este é um fator que devemos ter em conta quando lemos o relatório da PBS de 2025. As pessoas que vivem em zonas com maior poluição, que mais sofrem com secas e cheias, que não conseguem cultivar, pescar ou criar o seu sustento, cujas terras se encontram enterradas em resíduos têxteis ou plásticos produzidos por outros... estas pessoas são os irmãos mais pobres, que não podem escolher o sítio onde vivem nem as condições em que vivem.

Ou seja, nem todos vivemos nas mesmas condições na nossa casa comum e os que vivem em piores condições e que mais sofrem as consequências da ação humana são os mais frágeis. É disto que falava o Papa Francisco e que o Papa Leão reforça quando nos apela a escutar o grito dos pobres. É aqui que encontramos um ponto essencial da Ecologia Integral. A disciplina de Ecologia Integral, palavra descrita pela Comissão Teológica Internacional em 2008, relaciona a paz com a criação e a paz com os homens num nexo incindível que pressupõe a paz com Deus, segundo o Papa Bento XVI no seu discurso de 2007 para o Dia Mundial da Paz. Torna-se necessário tornar consciente este diálogo constante, para que também nas nossas ações de cada dia possamos tomar as boas decisões e promover a paz: nos nossos corações, nas nossas terras e cidades, no nosso país e no mundo.

A nossa casa comum é grande e tem espaço para todos. Está em perigo e devemos tomar disso consciência para agir, sabendo que podemos viver com algum conforto e não nos apercebermos tanto disso, mas são os mais frágeis que mais sofrem e precisam da nossa ação para podermos todos viver em paz. Quem sou e para quem sou? S. Vicente de Paulo no século XVIII escutou o clamor dos mais pobres em Paris e, com o seu exemplo, levou milhares de outros a fazer o mesmo. Nos dias de hoje existem muitos vicentinos cuja missão é escutar o grito dos pobres e agir, a sua missão assume várias formas, mas a força da evangelização é a mesma e vem da força da fé, da relação com Deus.

Esta é a mensagem de esperança que gostava de deixar: a nossa casa comum está em perigo, devemos tomar consciência e atuar. Mas como? A Madre Teresa de Calcutá lembrava que a solidão é a maior pobreza que podemos encontrar e talvez possamos começar por combater a solidão, por nos preocuparmos com as pessoas que vivem perto de nós. Recentemente pudemos testemunhar a enorme generosidade em caso de calamidade. O que aconteceu no final de janeiro de 2026 com a tempestade Kristin foi de uma violência brutal deixando sem casa, luz, água, comunicações e trabalho milhares de pessoas. Ainda estamos a tomar consciência do impacto deste acontecimento e do prejuízo para tantas famílias. Sabemos que a recuperação vai ser demorada e que cada um de nós tem a oportunidade para fazer a diferença na vida dos que foram mais afetados por esta tempestade, com bens de primeira necessidade, com mãos para ajudar, com apoio financeiro. Mas em primeiro lugar que sejamos capazes de dar o abraço, tão necessário, às pessoas que Deus coloca no nosso caminho.

A nossa casa comum é grande e tem espaço para todos, está em perigo, devemos tomar consciência e atuar: olhar aos que estão à nossa volta e, antes de tudo, dar um abraço. A seu tempo saberemos o que está ao nosso alcance fazer mas a disponibilidade para olhar para quem está mais próximo, essa podemos já começar a exercer.

(1) Planetary Boundaries Science (PBScience). 2025. Planetary Health Check 2025. Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK), Potsdam, Germany.
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