Mulher com a Bíblia

REFLEXÃO DOMINICAL

XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A

Descobrir o projecto que Deus tem para cada um de nós

José

Alves

Padre Vicentino

Estamos habituados a equilíbrios tácticos e políticos instáveis em função de interesses pessoais ou de grupos, por vezes obscuros, e não em função de valores que lhes sirvam de suporte e de norte… Por isso, tanta gente desnorteada!

 

Isto vem a propósito das leituras da liturgia deste domingo. Elas estabelecem o equilíbrio entre a consciência do limite, da fragilidade, da incapacidade (1ª leit), sem cair no desespero, e o desejo, quase necessidade, de aventura e de risco (3ª leitura). Tanto uma situação como outra nos abrem para o infinito e para o absoluto de Deus... O Reino dos céus em acção.

 

1º Ao jovem Salomão, por via de intrigas palacianas, cai-lhe o poder nas mãos. Esforçadamente desejado, quando adquirido, o poder obriga a pensar, a tomar consciência da responsabilidade.  Quando isto acontece, a pessoa sai de si e volta-se para algo que a transcende. Acontece com Salomão no dia da sua entronização:

A grandeza da tarefa (governar um povo imenso e inumerável),  a falta de experiência e  a consciência da sua incapacidade( sou muito novo, não sei como proceder…”) não o esmagam mas servem-lhe de trampolim para se elevar das preocupações banais,e por vezes pouco recomendáveis, e adquirir um olhar diferente da realidade  em que,até agora, tem andado, mergulhado: “Senhor, dá-me um coração inteligente para governar o vosso povo…para distinguir o bem do mal”. E este pedido agradou ao Senhor ,diz o texto.
Quando fazemos augúrios de futuro ou pedimos a Deus ajuda, anda tudo muito à volta de bens materiais e pessoais. O mundo gira muito à volta do “eu” de cada um… raramente se pede a sabedoria de coração em vista de paz interior, harmonia familiar e social ou busca de soluções justas e duradouras. Muito em função do “eu” e muito pouco em função do “outro”. A atitude inspiradora de Salomão agradou ao Senhor.Isto pode ser um critério para saber se agradamos ao Senhor, se estamos de bem com Ele e Ele de bem connosco: se na oração damos prioridade ao pedido da sabedoria do coração!...

 

2º - Em contrapartida, no texto do Evangelho, é a necessidade de aventura, de risco que é valorizada: o Reino dos Céus ( resultado da acção da graça no coração de cada homem e, por  ele, na sociedade) necessita de quem se aventure correndo o risco de perder: o  tesouro escondido, a pérola de grande preço valem o risco de tudo vender (experiência de vazio e de perda) em busca do bem maior… Orienta-nos muito a lógica do adágio popular:  “mais vale um pássaro na mão do que dois a voar” . Ter certezas, agarrar-se a elas, quando a lógica do Reino é diametralmente oposta: abrir de mãos, sem saber se encontrará alguma coisa quando as fechar….
O anúncio e a construção Reino dos céus passa por “este vazio cheio”, por “esta certeza incerta” causador daquela dolorosa vertigem diante do abismo do risco, do eventual vazio….

 

3º -Toda a vida cristã e, naturalmente, a construção do Reino segue este itinerário traçado por Deus: conhecidos por Ele, predestinados com a finalidade de ser a sua imagem visível, chamados, justificados e finalmente glorificados. Durante todo este percurso, muito claro enquanto intemporal, mas carregado de dúvida, de incerteza e até de dor,porque se realiza no tempo,no circunstancialismo de cada pessoa, consola-nos a frase de Paulo com que começa a 2ª leitura: “Sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que o amam, dos que são chamados segundo seu desígnio”.
Saber que Deus tem sobre cada um de nós um desígnio,um projecto,um sonho cujo desfecho se desconhece, mas que será sempre para o bem daqueles que o amam,é para o cristão, a maior fonte de serenidade e de paz.


P. José Alves, C.M.

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