PEQ 2022

«Da Quaresma para a Páscoa: caminha, Povo de Deus»

 

Introdução
A Igreja, consciente da importância da Páscoa para a sua vida, começa a preparar a celebração do Mistério Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus com 40 dias de antecedência. Durante este tempo, o batizado, como membro da Igreja, procura renovar a fé, para melhor celebrar e testemunhar a presença de Jesus, como o sentido da sua vida. E porque é que isto é importante? Porque a Igreja reconhece a necessidade de voltar a tomar consciência das fragilidades, daquilo que afasta da fé ou impede que outros a reconheçam nas nossas palavras e gestos. Por isso, uma das palavras-chave da Quaresma é «conversão». Isto é, temos a graça de aproveitar 40 dias para identificar e transformar os bloqueios que nos impedem de uma celebração mais autêntica e renovada dos mistérios centrais da nossa fé.

 

Com o convite à conversão, vivida mais intensamente neste tempo de Quaresma, a Igreja anima, também, cada batizado a acompanhar todos aqueles que, neste tempo, se preparam para celebrar os sacramentos da iniciação cristã (Batismo, Confirmação e Eucaristia). Acolher novos batizados e renovar o batismo são, no fundo, os grandes motivos para que a Quaresma seja vivida sempre de forma renovada. Assim se entende a proposta de, em cada ano, oferecer a batizados, grupos e comunidades uma dinâmica para ajudar a viver a Quaresma, como caminho para a Páscoa. No fundo, voltar a dizer como o Apóstolo Paulo: «não nos cansemos de fazer o bem; porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos» (Gal 6, 9-10a)» (Título da Mensagem do Papa Francisco para esta Quaresma).
Para este ano, a Família Vicentina propõe uma dinâmica que parte da Mensagem do Papa para esta Quaresma e do tempo de preparação para o Sínodo sobre sinodalidade que estamos a viver (Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão).
Da Mensagem do Papa: «neste tempo de conversão, buscando apoio na graça divina e na comunhão da Igreja, não nos cansemos de semear o bem. O jejum prepara o terreno, a oração rega, a caridade fecunda-o. Na fé, temos a certeza de que «a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido», e obteremos, com o dom da perseverança, os bens prometidos (cf. Heb 10, 36) para salvação nossa e do próximo (cf. 1 Tm 4, 16). Praticando o amor fraterno para com todos, estamos unidos a Cristo, que deu a sua vida por nós (cf. 2 Cor 5, 14-15), e saboreamos desde já a alegria do Reino dos Céus, quando Deus for «tudo em todos» (1 Cor 15, 28)».

 

Do Documento Preparatório para o Sínodo: «a sinodalidade representa a via mestra para a Igreja, chamada a renovar-se sob a ação do Espírito e graças à escuta da Palavra. A capacidade de imaginar um futuro diferente para a Igreja e para as suas instituições, à altura da missão recebida, depende em grande medida da escolha de encetar processos de escuta, diálogo e discernimento comunitário, em que todos e cada um possam participar e contribuir» (n. 9).
 

À luz destes convites, a proposta desta dinâmica tem como objetivos:
1.    Permitir que o caminho pessoal leve a encontros comunitários (em grupo) para aprofundar a Palavra de Deus de cada Domingo (o Evangelho, de modo especial);
2.    Ajudar a que, a partir da meditação do Evangelho, o grupo possa entrar em dinâmica sinodal (caminhar juntos) e responder a algumas questões que emanam do Documento Preparatório;
3.    Aprofundar a realização do «caminho conjunto» que permita valorizar a experiência da escuta mútua, da participação entre batizados e, destes, com aqueles que se afastaram da Igreja e já não conhecem Jesus;
4.    Contribuir para que as conclusões das nossas reflexões possam chegar às respetivas equipas diocesanas de contacto (para o Sínodo);
5.    Animar a que a experiência de participação, comunhão e missão leve os diversos vicentinos e respetivos grupos a uma profunda experiência de conversão e consequente vivência renovada da Semana Santa.
«Neste “caminhar juntos”, peçamos ao Espírito que nos leve a descobrir como a comunhão, que compõe na unidade a variedade dos dons, dos carismas e dos ministérios, tem em vista a missão: uma Igreja sinodal é uma Igreja “em saída”, uma Igreja missionária, com as portas abertas» (Documento Preparatório para o Sínodo, n. 14).

 

Para a realização da dinâmica, é importante ter presente o seguinte:
● Informa-te na tua paróquia ou diocese e inscreve o grupo para participares no «período de escuta» em vista do Sínodo;
● Coordena esta dinâmica, se possível, com a tua comunidade paroquial. Não queremos caminhos paralelos ou duplicados;
● Convoca todos os elementos do grupo para realizarem esta proposta em grupo;
● Está atento às indicações que a dinâmica apresenta de uma semana para a outra;
● Sê criativo e envolve o maior número de pessoas/realidades/contextos que não caminham habitualmente connosco. É importante ouvir aqueles que nos vêm de longe e o que esperam de nós, Igreja.

 

Aproveitemos este tempo favorável para semear, tendo em vista a colheita. Sabemos que não é fácil (pós-covid, invasão da Ucrânia…), mas acreditamos na força de Cristo ressuscitado que nos deixou o seu Espírito. Renovemos «a fé (que) não nos preserva das tribulações da vida, mas permite atravessá-las unidos a Deus em Cristo, com a grande esperança que não desilude e cujo penhor é o amor que Deus derramou nos nossos corações por meio do Espírito Santo» (Papa Francisco, Mensagem para a Quaresma, 2022).
 

QUARTA-FEIRA DE CINZAS               
Juventude Mariana Vicentina
Palavra: PREPARAR
Evangelho: Mt 6, 1-6.16-18
 

Reflexão
A Quarta-Feira de Cinzas marca o início da Quaresma, “um tempo favorável de renovação pessoal e comunitária que nos conduz à Páscoa de Jesus Cristo morto e ressuscitado”. Apesar de Jesus ter feito um caminho solitário até ao Monte Calvário, ele carregava na sua Cruz toda a humanidade, e por isso hoje convida-nos a fazer um caminho em conjunto, em comunhão, numa Igreja unida. Este tempo caracteriza-se pela prática da justiça, no sentido religioso, destacando-se o jejum, a oração e a penitência. Nos dias de hoje, a prática destas difere um pouco do povo judeu, por isso, no Evangelho de hoje somos chamados a olhar para estas três formas de penitência, não como uma forma de sofrimento e dor, como algo que mereça um prémio, mas sim como um desafio, crescimento e amadurecimento pessoal, para que após este tempo possamos estar ao serviço dos outros e ajudá-los no desenvolvimento da sua fé. Prepara-te para este caminho, um caminho de Deus e para Deus, junto com os teus irmãos.
Desafio comunitário
1. Distribuir 1 desdobrável e/ou o link com a Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2022 (https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/lent/documents/20211111-messaggio-quaresima2022.html) e do respetivo Bispo da diocese onde estão inseridos; 
2.    Distribuir a agenda/convite dos encontros de reflexão a todas as pessoas da comunidade;
3.    Colaborar na renúncia quaresmal da JMV (a favor do Projeto Renascer Pra Esperança, mais informações em anexo).
Desafio individual
Prepara o tempo que hoje se inicia:
1.    O que devo procurar converter? 
2.    O que devo jejuar? 
3.    E como vou viver a renúncia quaresmal?
 

I DOMINGO DA QUARESMA

Juventude Mariana Vicentina

Palavra: CAMINHAR

Evangelho: Lc 4, 1-13 (Jesus vai para o deserto e é tentado)

 

Reflexão

Neste I Domingo da Quaresma, o Evangelho ilustra o momento em que Jesus vai para o deserto e é tentado pelo Diabo. Apesar das circunstâncias, Jesus manteve-se sempre firme na fé, respondendo com a Palavra de Deus, que é para Jesus o seu guia. Também nós somos tentados pelo Diabo (palavra grega que literalmente significa aquele que divide e atrapalha) no nosso dia-a-dia, o que poderá causar em nós dúvidas e um tomar de decisões “erradas”. Este surge camuflado e por vezes não nos apercebemos, sendo que quando estamos sozinhos existe uma maior probabilidade de cair em tentação. É por este motivo que é importante estar acompanhado, caminhar junto com os outros, porque estes também serão parte da nossa proteção. Durante esta semana és convidado a iniciar (ou continuar) a refletir sobre o Sínodo dos Bispos, através de um caminho de sinodalidade, um caminho onde todos somos chamados a intervir. Além disso, é importante que não seja um caminho de silêncio ou tumulto, mas com um diálogo onde reina o amor e a paz, o respeito e a aceitação.

REFLETIR SOBRE AS PERGUNTAS DO SÍNODO

A partir do caminhar juntos e do diálogo:

  • O que entendemos por caminhar juntos?

  • O que nos impede e favorece o caminhar juntos (como comunidade e, desta, com a sociedade)?

  • Quais são os lugares/modalidades de diálogo existentes na nossa comunidade?

  • Como enfrentamos as divergências, conflitos e dificuldades?

  • Quais as experiências de diálogo com associações, movimentos da Igreja, com crentes de outras confissões religiosas ou não crentes? E com as outras instâncias da sociedade (política, cultura, desporto…)?

  • Em que medida o caminhar juntos nos aproxima dos mais pobres?

 

Oração sobre a simplicidade

“A simplicidade é a virtude que mais amo, eu a chamo de meu evangelho” (SV I,284). São Vicente de Paulo convida-nos a ser simples na ação do Amor, verdadeiros, sinceros e transparentes, pois assim é possível ver o rosto de Deus no próximo, e que este veja em nós também. Sejamos exemplo de pessoas simples tal como Maria, Mãe de Jesus, pois só assim conseguiremos seguir Cristo e caminhar com Ele nesta missão de anunciar a Boa Nova.

 

Desafio global

Convida os amigos do teu contexto paroquial, membros de outros grupos religiosos, e até mesmo aqueles que de certa forma se encontram mais afastados da Igreja, para partilhar experiências de fé e de que forma vêm o futuro da Igreja.

II DOMINGO DA QUARESMA

Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo

Palavra: ESCUTAR

Evangelho: Lc 9, 28b-36 (Transfiguração de Jesus)

 

Reflexão

A transfiguração é a contemplação da glória de Deus. É a plenitude do “Reino” encarnado no hoje da história dos homens. Ao silenciarmos para ouvir a voz dos mais fracos e dos pobres, “tão numerosos hoje”, ao retirarmos para rezar e subirmos a montanha despojados de toda a nossa auto-suficiência, faz-nos penetrar numa realidade de dor e angústia, mas ao mesmo tempo de muita esperança. As minorias sociais são os preferidos de Deus: “escutai-os”. Esta escuta dá coragem para gestos de transformação na Igreja e um novo frescor para concretizar o “Reino de Deus”. Ao nos contentarmos com a realidade em que vivemos e com a ideia de que “é bom estar aqui”, faz com que a Igreja se torne obsoleta e enfraquecida num mundo que grita por paz, amor e fraternidade. Nós, os batizados, somos convocados para esta missão: estar atentos a Cristo, que dia a dia se quer “transfigurar” nas nossas vidas. Despertemo-nos do “sono”, abandonemos as nossas “tendas” para livres, gritar por toda a parte e através de todos os meios, que Deus continua a conduzir o seu Povo através do deserto até a terra prometida.

 

Refletir sobre as perguntas do sínodo

A partir da escuta e tomar a palavra:

  • Quem é que tem sido “pouco escutado” pela Igreja?

  • Na nossa comunidade, até que ponto sentes que os leigos, em especial, jovens e mulheres, são escutados? Ouvimos o clamor dos pobres, dos excluídos pela sociedade?

  • O que nos impede de escutar?

  • Como promovemos na Igreja (comunidade, grupo) um estilo de comunicação livre, autêntico, assente na liberdade, caridade e verdade?

  • Como estamos presentes nos meios de comunicação social? Até que ponto eles são ferramentas onde afirmamos a fé e “lutamos” pela verdade?

  • Quem fala em nome da comunidade cristã e como é escolhido?

 

Oração sobre a humildade

Senhor, dai-me a virtude da humildade para que reconhecendo as minhas próprias limitações e fraquezas, possa agir de acordo com essa consciência.

Seja afastada de mim a tendência para julgar os outros, sendo compreensivo e que não guarde rancor. Que os meus ouvidos estejam atentos para ouvir o clamor dos pobres que me rodeiam.

Que o meu coração esteja aberto a acolhê-los e tenha atitudes que os leve a abrir caminhos de transformação.

Dá-me, por esta virtude, a capacidade de estar sempre em oração e aberto ao Espírito que me liberta da inércia. Que eu me torne mais acessível às transformações necessárias para o bem dos meus irmãos, principalmente dos Pobres e Pequeninos. Que o crescimento do Reino de Deus seja uma realidade no nosso mundo de hoje.

Maria, minha boa Mãe e Senhora, segura a minha mão e caminha comigo pelos caminhos da vida. Ámen!

 

Desafio global

Estabelece um diálogo com os mais “frágeis” da paróquia. A fragilidade é algo intrínseco à natureza humana, por isso, qualquer um de nós é merecedor da visita daqueles que levam amor. Por exemplo, procura o diálogo com as pessoas de um lar, de uma prisão, ou em condição de sem abrigo.

III DOMINGO DA QUARESMA         

Sociedade de São Vicente de Paulo

Palavra: CONFIAR

Evangelho: Lc 13, 1-9 (Parábola da figueira sem fruto)

 

Reflexão

Ao lermos o Evangelho deste dia apercebemo-nos que, tal como no tempo de Jesus, muitas pessoas pensam que tudo o que acontece de mau é castigo de Deus. Jesus rompe com a ideia de que Deus está sempre pronto a castigar pois Ele não é um Deus vingador, mas antes um Deus que perdoa e caminha connosco sempre e, por isso convida o povo ao arrependimento que só é possível através de uma mudança de mentalidade e de uma profunda conversão.

Através da parábola da figueira, Jesus vem dizer-nos que temos de estar atentos às oportunidades que Deus nos dá no nosso dia a dia, mas que na agitação da vida quase nunca nos apercebemos. Ele quer a nossa salvação, mas não o pode fazer sem a nossa colaboração. Temos de operar em nós uma transformação radical do nosso modo de viver, uma mudança de pensar e agir que nos leve a colocar Deus como a razão fundamental da nossa existência e, assim, caminhar confiantes.

Deus é misericórdia, por isso caminhemos juntos e procuremos com o nosso exemplo de Seus filhos ajudar os mais desfavorecidos, para que também eles consigam caminhar para Deus que os espera com amor de Pai.

Refletir sobre as perguntas do sínodo

A partir de corresponsáveis na missão e autoridade e participação:

  • Dado que somos todos discípulos missionários, de que maneira cada um dos Batizados é convocado para ser protagonista da missão?

  • Como é que a comunidade apoia os seus membros comprometidos num serviço na sociedade (responsabilidade social e política, investigação científica, ensino, na promoção da justiça social, na salvaguarda dos direitos humanos e no cuidado da Casa Comum, etc.), numa lógica de missão?

  • Como se verifica o discernimento a respeito das escolhas relativas à missão e quem participa?

  • Uma Igreja sinodal é uma Igreja participativa e corresponsável. Como se identificam os objetivos a perseguir, o caminho para os alcançar e os passos a dar?

  • Como se exerce a autoridade no seio da nossa Igreja particular? Quais são as práticas de trabalho em grupo e de corresponsabilidade?

  • Como se promovem os ministérios laicais e a assunção de responsabilidade por parte dos Fiéis?

  • Como funcionam os organismos de sinodalidade na nossa comunidade? São uma experiência fecunda?

 

Oração sobre a mortificação

Jesus, ajuda-nos a descobrir o valor da conversão, a compreender a importância de fazer penitência, pois só assim poderemos caminhar para a nossa santidade.

Desafio global

Convida pessoas para dar o seu testemunho de encontro com o outro, de fazer o bem saindo da sua zona de conforto, independentemente das experiências terem acontecido num contexto religioso ou não.

IV DOMINGO DA QUARESMA        

Associação da Medalha Milagrosa

Palavra: PERDOAR

Evangelho: Lc 15, 1-3.11-32 (Parábola do Filho Pródigo)

 

Reflexão

O Evangelho deste dia transmite-nos várias mensagens: o valor do arrependimento verdadeiro de um pecador (filho mais novo); o amor verdadeiro do pai, misericordioso e manso de coração, que dá a ambos os filhos o que tem, respeitando a liberdade de cada um e mostrando o significado da felicidade profunda pelo perdão; a necessidade do filho cumpridor (mais velho) de ver premiada a sua conduta aparentemente perfeita.

A riqueza deste Evangelho revela-nos os vários valores: o do REGRESSO a Deus pelo PERDÃO, acessível aos homens pelo sacramento CONFISSÃO; o do DISCERNIMENTO através da ação do ESPÍRITO SANTO sobre cada um de nós (a bênção e a humildade); o do nosso envolvimento na Obra de Deus/Pai/Amor, como membros da Sua Igreja (participação, decisão, responsabilidade, escuta, caminhada em conjunto, em Igreja).

Procuremos redescobrir a vivência e a comunhão do carisma vicentino no hoje, enriquecendo cada Ramo da Família Vicentina e cada membro em particular, de forma a chegarmos até onde Deus quer.

 

Refletir sobre as perguntas do sínodo

A partir de discernir e formar-se na sinodalidade:

  • Com que procedimentos e com que métodos discernimos em conjunto e tomamos decisões? Em que medida sentimos que as decisões brotam do Espírito Santo?

  • Como podemos melhorar e promover a participação na tomada de decisões, no seio de comunidades hierarquicamente estruturadas?

  • Como formamos as pessoas, de maneira particular aquelas que desempenham funções de responsabilidade no seio da comunidade cristã, a fim de as tornar mais capazes de “caminhar juntas”, de se ouvir mutuamente e de dialogar?

  • Que formação oferecemos para o discernimento e o exercício da autoridade?

  • Que instrumentos nos ajudam a interpretar as dinâmicas da cultura em que estamos inseridos e o seu impacto no nosso estilo de Igreja?

 

Oração sobre a mansidão

São Vicente de Paulo pedia a Deus, com frequência, que o ajudasse a cultivar a virtude da mansidão, de forma a construir a confiança de uns nos outros, de forma a viver a vocação de filhos de Deus e o chamamento pelo Batismo à santidade. Enquanto filhos espirituais de São Vicente de Paulo, pedimos a Jesus, manso e humilde de coração, que faça o nosso coração semelhante ao Seu, em especial para com os pobres, que servimos como ao próprio Cristo na nossa Missão Vicentina.

 

Desafio global

Procura celebrar o sacramento da reconciliação. Cada paróquia define o momento em que este sacramento pode ser celebrado, por isso está atento e partilha com os diversos membros do grupo. Caso faça mais sentido, marca uma data e hora com o teu pároco para celebrar este sacramento.

V DOMINGO DA QUARESMA           

Associação Internacional de Caridade

Palavra: RECOMEÇAR

Evangelho: Jo 8, 1-11 (Mulher pecadora)

 

Reflexão

O Evangelho reporta-nos para a nossa condição de ser humano, que nem sempre percorre os caminhos do bem, mas onde há sempre espaço para recomeçar. Através da “mulher adúltera” somos convidados a refletir sobre os caminhos que percorremos e como temos o dever de voltar atrás quando erramos. Nesta caminhada há os que não compreendem o perdão e apostam no castigo, como os escribas e fariseus. Mas Jesus, perante aqueles homens que se diziam os mais sabedores, com uma frase apenas dilui o muro da hipocrisia e dá a oportunidade de recomeçar. O castigo e a intolerância não resolvem o problema do mal. Só o amor, a misericórdia e a humildade fazem nascer o homem novo. É esta crença no Divino que nos dá forças para recomeçar, orientados pelos caminhos da fé e da esperança. Essa força é-nos transmitida através da oração e dos sacramentos, que nos fazem estar mais próximos de Deus e colaborarmos uns com os outros, numa cultura de vizinhança, onde há espaço para dialogar com os que se sentem sós e dar-lhes o apoio que precisam.

 

Refletir sobre as perguntas do sínodo

A partir de celebrar e outras confissões cristãs:

  • De que forma a oração e a celebração litúrgica inspiram e orientam efetivamente o nosso “caminhar juntos”?

  • Como é que os sacramentos inspiram as decisões mais importantes?

  • Como promovemos a participação ativa de todos os Fiéis na liturgia e o exercício da função de santificar?

  • Que espaço é reservado ao exercício dos ministérios do leitorado e do acolitado?

  • Que relacionamentos mantemos com os irmãos e as irmãs das outras Confissões cristãs? Onde e como acontecem?

  • Que frutos e dificuldades colhemos deste “caminhar juntos”?

 

Oração sobre o zelo

Senhor, Pai Santo, nós te pedimos que nos membros da nossa Família Vicentina arda sempre o fogo da caridade, para que, com grande zelo apostólico, não cessemos de ajudar os nossos irmãos mais frágeis a recomeçar, levantando-os e ajudando-os a seguir os caminhos do Teu Filho Jesus.

 

Desafio global

Reúne alguns elementos do grupo para fazer a síntese do diálogo realizado durante a quaresma.

DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR                
Colaboradores da Missão Vicentina
Palavra: ENTRAR
Evangelho: Lc 22, 14-23, 56

 

Reflexão
Bastou o Bom Ladrão pedir para, de imediato, abrir-se-lhe a porta do Paraíso. Perto da morte, reconhecendo as faltas, encontrou forças que já não teria para se solidarizar com o justo sofredor que o acompanhava. Também nós, neste Domingo de Ramos, somos convidados a entrar em Jerusalém e subir aos pés da Cruz de Cristo para descobrirmos a Sua realeza. Cristo, sendo Rei, sempre revelou especial dedicação aos pobres, fossem eles os pastores, a viúva de Sarepta ou os ladrões do Calvário. E nós? Amamo-nos uns aos outros como Ele nos amou? Seguimos o caminho apontado por S. Vicente de Paulo quando nos manda “amar os pobres com afeto especial, vendo neles a pessoa do próprio Cristo, e dando-lhes a importância que Ele mesmo dava”? Será que, em ambiente sinodal, estamos preparados para caminhar juntos? Como S. Vicente, temos consciência de que “é preciso unir-se ao próximo para se unir a Deus”? Neste início da Semana Santa peçamos com todo o nosso empenho, força e responsabilidade: Jesus, lembra-Te de mim!

 

QUINTA-FEIRA SANTA – Missa da Ceia do Senhor                  

Congregação da Missão – Padres Vicentinos

Palavra: CELEBRAR

Evangelho: Jo 13, 1-15

 

Reflexão

Com a celebração da Ceia do Senhor, em Quinta-Feira Santa, a Igreja reacende a memória da instituição da Eucaristia, do Sacerdócio ministerial e da Caridade (lava-pés), dando assim início à grande celebração do Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Com efeito, o Sagrado Tríduo Pascal constitui o ponto mais alto do Ano Litúrgico e, claro está, desta caminhada quaresmal. Pois é na celebração deste mistério de dar e receber, de onde tudo parte e onde tudo chega.

Na Casa Comum (na tua igreja paroquial: lugar onde a tua Família/Igreja se reúne habitualmente) e à Mesa da Páscoa, és convocado a CELEBRAR o amor declinado segundo as regras da gramática do SERVIÇO.

Se fosse uma clássica história do Faroeste, o texto do evangelho deste dia (Jo 13, 1-15) era encabeçado pelo garrafal título WANTED/PROCURA-SE: “amigos e lavadores de pés”, como magnificamente definiu o Arcebispo de Boston Seán O’Malley.

Na verdade, amigos e lavadores de pés são os atributos que Jesus identifica como indispensáveis para os seus Apóstolos e lhes deixa como testamento na Última Ceia.

É, também, isso que o Senhor nos convida a celebrar: a nossa amizade com Ele e a nossa disponibilidade para o serviço aos irmãos, sobretudo, os mais desfigurados pelo sofrimento e pobreza.

SEXTA-FEIRA SANTA – CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO DO SENHOR                             

Congregação da Missão – Padres Vicentinos

Palavra: CONTEMPLAR

Evangelho: Jo 18, 1-19, 42

 

Reflexão

Com os olhos fixos na Cruz, escutamos e contemplamos o imenso relato da Paixão do único Senhor da nossa vida, a partir do Evangelho segundo S. João (18,1-19,42). Com Jesus, atravessámos o Cédron e entrámos no «jardim». A noite da dor carrega ainda mais o contexto. Talvez por isso, quase todos O abandonam, a não ser a Mãe, liderando o grupo das “Marias”. Entretanto, o galo cantará e Pedro interrogado publicamente, responde, negando tudo! Mas Jesus prossegue o seu caminho de amor até ao fim.

No centro da nossa fé cristã encontra-se o mistério de Deus que, em Jesus Seu Filho, escolheu o movimento descendente. Não só escolheu os últimos da sociedade para se dar a conhecer, mas também decidiu manifestar a plenitude do amor divino num homem cuja vida desembocou numa morte humilhante fora das muralhas da cidade.

Aquele que estava com Deus desde o princípio e que era Deus revelou-se numa criança indefesa; como refugiado no Egipto; como adolescente obediente e adulto discreto; como penitente do Baptista; como pregador na Galileia e seguido por alguns simples pescadores; rodeado de pecadores, conversava, amiudadas vezes, com gente pouco afamada; foi acusado de marginal e ameaça para o seu povo.

Jesus deixa poucas dúvidas de que o caminho que Ele seguiu é o mesmo que tem para oferecer aos seus discípulos: o caminho do esvaziamento da Cruz para, por amor, abraçar assim a toda a humanidade.

Adoremos nós também, com amor, neste Dia de Sexta-Feira Santa, a Santa Cruz do único Senhor da nossa vida.

DOMINGO DE PÁSCOA da Ressurreição do Senhor           
Congregação da Missão – Padres Vicentinos
Palavra: ANUNCIAR
Evangelho: Jo 20, 1-9

 

Reflexão
O Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor oferece-nos o grande texto de João 20,1-10, com a descoberta do túmulo aberto, mas não vazio, como muitas vezes, equivocadamente, traduzimos. 
Túmulo aberto, pois a grande pedra do poder da morte foi retirada, e o Anjo da Ressurreição senta-se sobre ela, revelando a impressionante soberania e vitória do Senhor! Mas não vazio, pois, na verdade, está cheio de sinais: um jovem sentado à direita com uma túnica branca, dois homens com vestes fulgurantes, as faixas de linho no chão e o sudário enrolado noutro lugar.
É imperioso ler estes sinais, ouvir e anunciar com toda a força a sua mensagem: Ressuscitou, já não está no túmulo da morte. Há uma presença nova a descobrir. Com efeito, muitas vezes o «lençol da morte» é tão pesado que só o poder da fé e soberania do nosso Deus pode descobrir. Mergulhados na noite escura e cegos pelo conhecimento técnico-prático, não conseguimos observar o inefável, o inaudito, o surpreendente. A Luz verdadeira que vem a este mundo para iluminar todos os homens é Jesus. Sem esta Luz que é Jesus, andamos às escuras, na noite, na cegueira, na dor, no fracasso, na incompreensão.
A notícia que Madalena levava, ainda que equivocada pelo olhar normal, põe em movimento Simão Pedro e o «discípulo amado». Possamos também nós, iluminados pelo olhar da fé, e com o entusiasmo do nosso anúncio suscitar todo um movimento novo: a VIDA venceu a MORTE! RESSUSCITOU, ALELUIA!