CLERICUS CUP: A BOA NOTÍCIA

P. Fernando Soares, CM

11 de julho de 2022

Na eucaristia que juntou todos os participantes na Clericus Cup e os padres de Ourense, no Santuário de São Caetano, em Ervededo, o prelado salientou que a Clericus Cup é uma forma de os padres poderem ser uma “boa notícia”.

Sempre nos habituamos a ouvir o provérbio popular: “de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento”, mas para quem vive junto à raia com a terra de “nuestros hermanos”, sabemos bem que este não se cumpre ipsis verbis. Ao longo da história não faltam exemplos de bons e frutíferos casamentos. E em relação aos ventos, em abono da verdade, a sua impetuosidade, sabemos bem que não tem a ver com o fato de passarem por terras de Espanha.

Este arrazoado introdutório, só vem ao caso, por causa do bispo de Ourense, D. Leonardo, que na sua pequena intervenção foi capaz de nos fornecer o título desta partilha.

Com efeito, na eucaristia que juntou todos os participantes na Clericus Cup e os padres de Ourense, no Santuário de São Caetano, em Ervededo, o prelado salientou que a Clericus Cup é uma forma de os padres poderem ser uma “boa notícia”. Num tempo em que o “todo” é tomado pela “parte” e em que os padres são olhados com desconfiança, por ser colocada sobre todos a culpa de alguns, é bom que a força do “todo” possa tirar de cima dos sacerdotes o peso que a “parte” lhe incute. Esta competição de padres é uma “Boa Notícia” de fraternidade, de comunhão, de inculturação do Evangelho, para um mundo marcado pela guerra e pela discórdia.

E assim foi, de facto. Depois de dois anos de interregno, por causa da pandemia provocada pelo covid-19, a Clericus Cup voltou a realizar-se. Desta feita, entre os dias 4 e 6 de Julho de 2022, a bela e acolhedora cidade de Chaves, reuniu clérigos de várias dioceses de Portugal e dos Vicentinos. No total de oito equipas, distribuídas em dois grupos.

Este ano a nossa equipa era mesmo só constituída por confrades Vicentinos, pois, por razões clínicas e pastorais, os irmãos no sacerdócio da Arquidiocese de Évora e da Diocese de Portalegre/Castelo-Branco (Alentejanos), não puderam participar. Mas os vice-campeões não quiseram faltar e, cumprindo sempre a sua vocação inclusiva, foram procurar os reforços em vicentinos oriundos da querida Província de Moçambique.

Assim e apesar de tudo, este ano a competição voltou a contar com a presença de perto de uma centena de padres, pertencentes às dioceses de Vila Real, Guarda, Viseu, Porto e Braga, que concorreu com duas equipas: Augusta e Bracara.

E para aqueles que ainda questionam o objetivo desta competição, além do que já sublinhei do bispo de Ourense, recolho também a resposta do P. Miguel Santos, padre recém-ordenado na diocese de Vila Real em entrevista que deu à TSF: o principal objetivo é “o convívio, a alegria, a partilha de experiências e conhecer colegas de outras dioceses com realidades diferentes”.

Por seu lado, o P. Carlos César, CM, já experiente participante, corroborava a ideia, na entrevista que deu à Rádio Renascença: “à parte dos jogos, nós acabamos por ter também muitas partilhas… partilhas de experiências. Partilhamos as nossas alegrias, as nossas tristezas. Trabalhamos em várias dioceses e em contextos diferentes, cada um tem a sua especificidade e estarmos juntos permite-nos recarregar baterias, na medida em que partilhamos as nossas vidas”.

D. António Augusto, bispo de Vila Real, também salientou que o desporto poderá continuar a ser um espaço privilegiado para incutir os valores do respeito, da competição saudável e da cultura evangélica.
Por outro lado, este certame é sempre uma oportunidade para vermos que é possível uma igreja sinodal. Com efeito, foi uma vez mais reconfortante e animador ver a quantidade e qualidade da dedicação de tantos leigos que se envolveram e se envolvem nestas realizações, sobretudo na parte logística. Uma vez mais, também em Vila Real isso se cumpriu. Parabéns para todos!

Em termos competitivos e desportivos, podemos dizer que as “medalhas” mais visíveis estavam nas pernas de alguns; na barriga de todos pelo reconforto da rica gastronomia transmontana e, sobretudo, no peito onde cada um trazia a alegria do reencontro e da amizade.

A equipa de Vila Real revalidou o título, vencendo na final a equipa Bracara (Braga) e nós vicentinos conquistamos um honroso quinto lugar.

Ficou reforçado o desejo de participar na próxima edição. Estão todos convocados, marquem nas agendas: primeira semana de julho, na diocese de Viseu. Vamos lá treinar: indo eu, indo eu a caminho de Viseu!...