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ADVENTO - NATAL "Louvado sejas, meu Senhor"

A regra dos «5 C» para um Natal em tempo de Pandemia

INTRODUÇÃO

O Advento é um tempo de caminho através do qual preparamos a celebração do nascimento de Jesus. São quatro semanas em que a Igreja convida os seus membros a renovar a alegria da vinda do Filho de Deus à casa de cada um. Uma casa que é o coração, mas também é a família, a comunidade cristã, a escola, o grupo de amigos, o trabalho, o hospital, o lar de idosos, a prisão, o mundo… ou seja, onde está a pessoa, aí está uma oportunidade para acolher Deus que vem habitar, de novo, entre nós.
Mas o Natal deste ano não pode ficar indiferente a este contexto pandémico mundial e às suas repercussões pessoais e comunitárias que a todos está a abalar. Sobretudo, porque as restrições necessárias para o bem de todos, e a impossibilidade de estarmos naturalmente juntos, pedem-nos criatividade e responsabilidade para nos centrarmos no essencial.
Propomos, pois, que este Advento seja um tempo novo. Uma oportunidade para voltar ao essencial e, daqui, partir para contemplar o mundo, a nossa casa comum, com o olhar do presépio. Para isso, a proposta de Advento que aqui apresentamos, contará com a presença de 5 irmãs: Contemplar, Caminhar, Converter, Convidar e Celebrar. São 5 palavras que nos irão colocar em relação com a Encíclica Laudato Si para nos ajudar a viver um novo Natal, em tempo de pandemia.

 

METODOLOGIA
O convite a viver o Advento concretizar-se-á da seguinte forma:
-Propomos uma «palavra-chave» semanal que, centrando-se no Evangelho do Domingo correspondente e aprofundada à luz da Laudato Si, nos desafia a reler a nossa relação com a Igreja e com o mundo;
- Procuramos valorizar a experiência de «igreja doméstica» e a sua relação com a comunidade cristã;
- Concretizamos a dinâmica, tendo em vista duas finalidades: preparar um “presépio verde” e renovar hábitos na relação com a natureza pela redescoberta da pertença a uma comunidade paroquial;
- Para a sua realização, sugere-se o seguinte: comece em casa/grupo e, à hora combinada, se inicie com o gesto de acender a respetiva vela do Advento, invocando a presença do Senhor; depois, lendo a passagem bíblica e a meditação propostas, se crie um momento para dialogar (refeição?); e por fim, são convidados a viver o resto do dia, procurando realizar o desafio apresentado.
- Como se fará? 3 indicações práticas: 1) Escolhe um espaço onde possas colocar as 4 velas da coroa de Advento e a Bíblia, em lugar de destaque. É aqui que, passo a passo, irás fazer o presépio e, no dia 24, “trocar” a Bíblia pelo menino Jesus. 2) Os momentos de oração começam e terminam sempre com uma invocação (Começar: «Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo». Terminar: «O Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ámen»). 3) As diversas propostas têm vários momentos de leitura e reflexão: escolhe um orientador e divide as leituras entre as pessoas presentes para todos participarem ativamente.

I SEMANA - Contempla o mundo e louva o Criador


Acender a I vela do Advento
Todos (T): Ao acendermos, Senhor, a primeira vela do Advento, pedimos que esta luz ilumine o nosso coração e a nossa mente para Te encontrar e contemplar como nosso Criador.
Leitor: “Vós, Senhor, sois nosso Pai e nós o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas mãos” (Is 64, 7).

 

Meditação
Estas palavras do Profeta Isaías que escutamos na I Leitura do I Domingo de Advento são particularmente oportunas para nos colocar diante de uma das maiores problemáticas do nosso tempo: «proteger a nossa casa comum, unindo toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral» (Laudato Si, n. 13).
Para nós, cristãos, a profissão de fé que Isaías apresenta para falar de Deus e da sua criação, encontra sentido em Jesus. A partir d’Ele podemos afirmar: «a criação é mais do que dizer natureza, porque tem a ver com um projeto de amor de Deus, onde cada criatura tem um valor e um significado (…) a criação só se pode conceber como um dom que vem das mãos abertas do Pai de todos, como uma realidade iluminada pelo amor que nos chama a uma comunhão universal» (LS, n. 76).
Porque a fé nos permite interpretar o significado e a beleza misteriosa do que acontece, reconhecemos que cuidar da natureza é também, e sobretudo, proteger o homem da destruição de si mesmo (LS, n. 79). Por isso, és chamado a contemplar o mundo, criação de Deus, e a dizer como Isaías: «somos todos obra das vossas mãos».

Proposta
Lê o Evangelho deste Domingo (Mc 13, 33-37) e, com a ajuda do n. 92 da Laudato Si, dialoga sobre as seguintes questões:
- Contemplar a criação é descobrir que Deus nos confiou o mundo como uma casa comum. Quando foste capaz de parar para prestar atenção à sua beleza, descobrindo a presença de Deus e convertendo, assim, o teu olhar utilitarista?
- Vigiar é educar a própria vida para a doação de si mesmo. Que compromisso ecológico podes assumir para que, nas tuas ações diárias, ponhas a descoberto o melhor do ser humano e, assim, possas acolher o «dono da casa»?
- Aos problemas sociais responde-se não com a mera soma de bens individuais, mas com redes comunitárias (LS, n. 219). Até que ponto o Domingo é para ti, dia de encontro e de descanso com Jesus, a comunidade cristã (Eucaristia) e a família?


Dinâmica
- Abre a tua casa a Deus para que Ele abra o teu coração. Nesta primeira semana, prepara o lugar do presépio, criando um espaço para colocar a Bíblia e a coroa de Advento. Aqui, nascerá o Salvador!
- Faz da mesa da refeição familiar, um lugar de oração e de agradecimento. Propomos que, em cada dia, rezes a oração que o Papa Francisco nos deixa no final da Encíclica Laudato Si (oração cristã com a criação):
Segunda-feira: «Nós vos louvamos, Pai, com todas as vossas criaturas, que saíram da vossa mão poderosa. São vossas e estão repletas da vossa presença e da vossa ternura. Louvado sejais!»

Terça-feira: «Filho de Deus, Jesus, por Vós foram criadas todas as coisas. Fostes formado no seio materno de Maria, fizeste-Vos parte desta terra, e contemplastes este mundo com olhos humanos. Hoje estais vivo em cada criatura com a vossa glória de ressuscitado. Louvado sejais!»
Quarta-feira: «Espírito Santo, que, com a vossa luz, guiais este mundo para o amor do Pai e acompanhais o gemido da criação, Vós viveis também nos nossos corações a fim de nos impelir para o bem. Louvado sejais!»
Quinta-feira: «Senhor Deus, Uno e Trino, comunidade estupenda de amor infinito, ensinai-nos a contemplar-Vos na beleza do universo, onde tudo nos fala de Vós. Despertai o nosso louvor e a nossa gratidão por cada ser que criastes. Dai-nos a graça de nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe.»
Sexta-feira: «Deus de amor, mostrai-nos o nosso lugar neste mundo como instrumento do vosso carinho por todos os seres desta terra, porque nem um deles sequer é esquecido por Vós. Iluminai os donos do poder e do dinheiro para que não caiam no pecado e na indiferença, amem o bem comum, promovam os fracos, e cuidem deste mundo em que habitamos.»
Sábado: «Os pobres e a terra estão bradando: Senhor, tomai-os sob o vosso poder e a vossa luz, para proteger cada vida, para preparar um futuro melhor, para que venha o vosso Reino de justiça, paz, amor e beleza. Louvado sejais! Ámen.»

II SEMANA - Caminha com o outro e vive a fraternidade


Acender a II vela do Advento
Todos (T): Ao acendermos, Senhor, a segunda vela do Advento, pedimos que esta luz fortaleça os nossos passos para saber ir ao encontro dos nossos irmãos.
Leitor: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo» (Mc 1, 7-8)

 

Meditação
Estas palavras de João Batista que escutamos no final do Evangelho deste II Domingo do Advento convidam-nos a refletir sobre o nosso caminho de vida. Ou, como nos diz o Papa Francisco, «não basta saber quem sou eu, mas também para quem sou eu?» (Cristo vive, n. 286).
Preparar o nascimento de Jesus é redescobrir este caminho de Deus que vem ao nosso encontro, pela incarnação do seu Filho, Jesus, e vivê-lo sabendo ir ao encontro do nosso irmão. Para isso, é fundamental voltar a descobrir a fé como um encontro que gera relação, pois brota do Amor de Deus Trindade. Só assim, tomamos consciência de que não nos fizemos a nós próprios, mas foi o amor que nos criou. É este amor que nos leva a descobrir que somos filhos e, por isso, irmãos, uns dos outros… que a casa onde vivemos – o mundo – é o lugar da fraternidade.
João Batista podia ter ficado “preso em si mesmo”, mas sabia que depois dele, ia chegar alguém a quem não era digno de desatar as correias das suas sandálias; da mesma forma, Maria podia ter “guardado” a alegria para si, mas foi ter com sua prima Isabel. A consciência da sua vocação recorda-nos algo que tendemos a esquecer: «fomos criados para a plenitude, que só se alcança no amor» (Encíclica Fratelli Tutti, n. 68).

Proposta
Lê a Segunda Leitura deste Domingo (2Pe 3, 8-14) e, com a ajuda da Fratelli Tutti, n. 77-78, dialoga sobre as seguintes questões:
- O convite a prepararmo-nos para a vinda de Jesus, continua. Em que medida a fé te leva a estar mais atento aos outros?
- O cristão espera «novos céus e nova terra». Como é que neste tempo de distanciamento físico tens vivido a caridade?
- «Ocorre lembrar que entre globalização e localização também se gera uma tensão» (Fratelli Tutti, n. 142). Onde estão as raízes da tua história?


Dinâmica
Para esta semana propomos que faças o presépio. No lugar onde tens a Bíblia e a coroa de Advento, começa a construir este «admirável sinal». Para isso, aproveita as palavras do Papa Francisco (Carta Apostólica Admirável sinal) e, em cada dia da semana, coloca as seguintes imagens, lendo, em família:
- Segunda-feira: «em primeiro lugar, representamos o céu estrelado na escuridão e no silêncio da noite. Fazemo-lo não apenas para ser fiéis às narrações do Evangelho, mas também pelo significado que possui. Pensemos nas vezes sem conta que a noite envolve a nossa vida. Pois bem, mesmo em tais momentos, Deus não nos deixa sozinhos, mas faz-Se presente para dar resposta às questões decisivas sobre o sentido da nossa existência: Quem sou eu? Donde venho? Por que nasci neste tempo? Por que amo? Por que sofro? Por que hei de morrer? Foi para dar uma resposta a estas questões que Deus Se fez homem. A sua proximidade traz luz onde há escuridão, e ilumina a quantos atravessam as trevas do sofrimento (cf. Lc 1, 79)».

- Terça-feira: «muitas vezes aparecem representadas as ruínas de casas e palácios antigos que, nalguns casos, substituem a gruta de Belém tornando-se a habitação da Sagrada Família (…) Aquelas ruínas são sinal visível sobretudo da humanidade decaída, de tudo aquilo que cai em ruína, que se corrompe e definha. Este cenário diz que Jesus é a novidade no meio dum mundo velho, e veio para curar e reconstruir, para reconduzir a nossa vida e o mundo ao seu esplendor originário».
- Quarta-feira: «ao contrário de tanta gente ocupada a fazer muitas outras coisas, os pastores (e as ovelhas) tornam-se as primeiras testemunhas do essencial, isto é, da salvação que nos é oferecida. São os mais humildes e os mais pobres que sabem acolher o acontecimento da Encarnação. A Deus, que vem ao nosso encontro no Menino Jesus, os pastores respondem, pondo-se a caminho rumo a Ele, para um encontro de amor e de grata admiração. É precisamente este encontro entre Deus e os seus filhos, graças a Jesus, que dá vida à nossa religião e constitui a sua beleza singular, que transparece de modo particular no Presépio».
- Quinta-feira: «Muitas vezes, acrescentamos no Presépio outras figuras que parecem não ter qualquer relação com as narrações do Evangelho. Contudo esta imaginação pretende expressar que, neste mundo novo inaugurado por Jesus, há espaço para tudo o que é humano e para toda a criatura. Do pastor ao ferreiro, do padeiro aos músicos, das mulheres com a bilha de água ao ombro às crianças que brincam… tudo isso representa a santidade do dia a dia, a alegria de realizar de modo extraordinário as coisas de todos os dias, quando Jesus partilha connosco a sua vida divina.»
- Sexta-feira: «a pouco e pouco, o Presépio leva-nos à gruta, onde encontramos as figuras de Maria e de José. Maria é uma mãe que contempla o seu Menino e O mostra a quantos vêm visitá-Lo. A sua figura faz pensar no grande mistério que envolveu esta jovem, quando Deus bateu à porta do seu coração imaculado. Ao anúncio do anjo que Lhe pedia para Se tornar a mãe de Deus, Maria responde com obediência plena e total».
- Sábado: «ao lado de Maria, em atitude de quem protege o Menino e sua mãe, está São José. Geralmente, é representado com o bordão na mão e, por vezes, também segurando um lampião. São José desempenha um papel muito importante na vida de Jesus e Maria. É o guardião que nunca se cansa de proteger a sua família».

III SEMANA - Converte o coração e alegra-te em família


Acender a III vela do Advento
Todos (T): Ao acendermos, Senhor, a terceira vela do Advento, reconhecemos que a tua luz é cada vez mais intensa nesta caminhada. Que os seus raios iluminem o nosso coração para que se possa renovar no teu amor.
Leitor: «O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a promulgar o ano da graça do Senhor.» (Is 61, 1-2)


Meditação
Eis-nos chegados ao III Domingo do Advento, o Domingo da Alegria. E, para aprofundar este convite da Igreja para celebrar a alegria, começamos por meditar nas palavras de Isaías. Este profeta, vivendo em tempo de dificuldade, incerteza e pobreza, dá voz às promessas de Deus, recordando ao povo aquilo que há- de vir: chegará a salvação.
Este convite à esperança, como expetativa de que Deus vem ao encontro do seu povo, marca, não só o olhar sobre o Antigo Testamento, como o tempo de Advento que estamos a viver. Preparar o Natal, em especial, durante uma pandemia, implica redescobrir a fé como um encontro com Deus que cumpre as suas promessas em seu Filho, Jesus. Brota deste encontro, a alegria que procuramos testemunhar, com esperança, nos nossos gestos e palavras.
Para que isso aconteça, e atentos a este tempo, reconhecemos que é fundamental fazer esta redescoberta à luz da Palavra de Deus: «se a música do Evangelho parar de vibrar nas nossas entranhas, perderemos a alegria que brota da compaixão, a ternura que nasce da confiança, a capacidade de reconciliação que encontra a sua fonte no facto de nos sabermos sempre perdoados-enviados» (Fratelli Tutti, n. 277).


Proposta
Lê o Evangelho deste Domingo (Jo 1, 6-8.19-28) e, com a ajuda, dos n. 222 a 227 da Laudato Si, dialoga sobre as seguintes questões:
- «Quem és tu? Que dizes de ti mesmo?» A partir destas questões feitas a João Batista, que te impede de testemunhar Jesus no teu dia-a-dia?
- «A espiritualidade cristã propõe uma forma alternativa de entender a qualidade de vida, encorajando um estilo de vida profético e contemplativo, capaz de gerar profunda alegria sem estar obcecado pelo consumo» (LS, n. 222). Que propostas lançarias à tua família/grupo para repensar o consumo?
- «No meio de vós está Alguém que não conheceis». Esta afirmação de João Batista permite-nos recordar uma dimensão fundamental da fé: a comunidade. A abertura, o acolhimento, o caminho conjunto, porque Jesus está no meio de nós, são sinais visíveis da sua presença entre nós. Como os identificas no teu grupo, paróquia?


Dinâmica
É possível viver a alegria do Evangelho. Para isso, propomos que, em cada dia desta semana, se redescubra essa alegria à luz das obras de misericórdia. E durante este caminho, se as condições o permitirem, procura celebrar o Sacramento da Reconciliação (Confissão).
- Domingo: «dar de comer a quem tem fome» e «dar bom conselho a quem dele necessite». Nestas obras de misericórdia corporal e espiritual, podes atualizar o teu “comportamento laudato si”. Por exemplo, como é que geres o desperdício alimentar em tua casa? E de que forma o grupo (escola, trabalho…) ou a paróquia conta com a tua voz para uma ecologia integral? Põe em prática 1 obra de misericórdia corporal e outra espiritual.
- Segunda-feira: «dar de beber a quem tem sede» e «ensinar os ignorantes». Aprofundando, ainda mais o comportamento laudato si, és convidado neste dia a avaliar a gestão que se faz da poupança de água em tua casa. Da mesma forma, podes contribuir para uma internet mais pura e verdadeira: até que ponto a tua presença na internet valoriza a “boa notícia”, a verdade, a relação e autenticidade? Pensa que, mesmo indiretamente, as tuas ações têm implicações no outro, pois vivemos na mesma casa comum!
- Terça-feira: «vestir o nu» e «corrigir o que erra». O que fazes com a roupa que deixas de vestir? Seguramente, é fácil para ti fazê-la chegar a quem mais precisa… Mas, e até que ponto uma nova compra também tem presente alguém carenciado? Sobre a obra de misericórdia espiritual, quantas vezes contribuíste para “quebrar” a circulação de uma fake news ou do cyberbullying? Quarta-feira: «acolher o peregrino» e «consolar os tristes». Numa perspetiva mais abrangente, o peregrino é também o refugiado, o migrante… e facilmente podemos tomar parte no grupo da “globalização da indiferença”. Como avalias a tua consciência de que somos uma única família humana (LS, n. 52)? Nesta mesma linha, consolar os tristes torna-se, hoje, um imperativo: pensa nos idosos que, sem visitas e privados da “normalidade das suas relações”, esperam ser surpreendidos pela tua criatividade consoladora!

- Quarta-feira: «acolher o peregrino» e «consolar os tristes». Numa perspetiva mais abrangente, o peregrino é também o refugiado, o migrante… e facilmente podemos tomar parte no grupo da “globalização da indiferença”. Como avalias a tua consciência de que somos uma única família humana (LS, n. 52)? Nesta mesma linha, consolar os tristes torna-se, hoje, um imperativo: pensa nos idosos que, sem visitas e privados da “normalidade das suas relações”,
- Quinta-feira: «visitar os doentes» e «perdoar as injúrias». Não é nada fácil visitar os doentes neste tempo de pandemia, mas podes estar unido a eles, assim como a todos os profissionais de saúde que, muitas vezes exaustos, dão a sua vida pela vida dos outros. Conheces algum doente, profissional de saúde? Liga-lhe, diz-lhe que rezas por ele… Ainda sobre esta atitude pró-ativa, concentra-te nas tuas relações e, se há rutura com alguém, decide falar com a igreja (padre?) e discirnam sobre o caminho a seguir.
- Sexta-feira: «visitar os presos» e «suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo». Alguma vez te informaste se há algum grupo que preste auxílio aos presos e como podes ajudar? Vale a pena, pensar, ainda, que a nossa paciência tem, hoje, a ver com a capacidade de cultivar o silêncio e a escuta. Já pensaste que se está a «criar um estilo de vida, no qual cada um constrói o que deseja ter à sua frente, excluindo tudo aquilo que não se pode controlar ou conhecer superficial e instantaneamente» (Fratelli Tutti, n. 49)?
- Sábado: «enterrar os mortos» e «rezar pelos vivos e defuntos». São duas obras de misericórdia que, de acordo com a nossa sociedade, nos convidam a ir mais além da letra: saber meditar no tema da morte e da memória. A pandemia, entre várias coisas, veio despertar-nos para a experiência da fragilidade. Mas também fomos capazes de verificar que somos como «o barro que traz dentro de si um grande tesouro». Tens convidado a comunidade cristã a rezar contigo por algum ente querido que tenha morrido?

IV SEMANA - Convida o irmão e encontra o Senhor


Acender a IV vela do Advento
Todos (T): Acendemos, Senhor, a última vela do Advento. E reconhecemos que a tua luz nos permite ver, desde já, o nascimento de Jesus, o teu Filho muito amado. Que esta luz se traduza em alegria e nos leve a convidar o irmão para ir ao teu encontro.
Leitor: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim» (Lc 1, 30-33).


Meditação
Chegamos ao IV Domingo do Advento! Neste último Domingo de Advento, somos convidados a entrar no diálogo de Maria com o Anjo Gabriel. Deste diálogo em que Maria é chamada a ser a mãe do Salvador, sublinhamos 3 atitudes que podem marcar o nosso Natal em tempo de pandemia: do encontro ao diálogo com Deus e do diálogo à descoberta da vocação.
É Deus que vem ao encontro de Nossa Senhora. Através do Anjo, Ele comunica-lhe o projeto de felicidade que tem para ela. Nesta proposta, podemos aproveitar para contemplar o Natal, como este movimento de Deus que, através do seu Filho, vem ao nosso encontro com uma proposta de felicidade para cada um. O nascimento de Jesus, a exemplo do diálogo entre o Anjo e Nossa Senhora, é um diálogo de Amor com a humanidade, feito na liberdade e “igualdade”. Tornando-se um de nós, exceto no pecado, Jesus revela quem é Deus e quem somos nós: filhos de Deus, cuja origem e fim está em Deus Trindade. Não existimos para viver “fechados em nós mesmos”.

O «sim» de Maria continua, hoje, em cada batizado. Reconhecemos que o «sim» a Deus afirma a centralidade da comunidade, como família, e do mundo como casa comum, onde Deus é Pai e Criador. O presépio recorda-nos isso mesmo: sem encontro e abertura a todos, em especial, aos mais simples, não poderemos encontrar Jesus nem regressar por um novo caminho (Mt 2, 1-12).
 

Proposta
Maria é, por excelência, o ícone do Advento. Nela vemos as maravilhas que Deus também pode operar em nós mesmos. Relê os passos de Maria no NT e descobre qual é aquele que melhor te pode ajudar neste tempo de pandemia (Lc 1, 26-56; 2, 1-20; 2, 21-40; 2, 41-52; Jo 2, 1-12; 19, 25-27; Act 1, 12-14; 2, 1-6). Por exemplo, o diálogo com o Anjo levou-a ao encontro de sua prima Isabel… Até que ponto vais ao encontro do outro, em especial, do familiar ou amigo idoso, telefonando-lhe, vendo se lhe faz falta algo que possa ajudar a viver o verdadeiro sentido do Natal?


Dinâmica
Ao longo do Advento são-nos apresentados exemplos através dos quais Deus prepara o nascimento de seu filho: profetas, Maria, José… E, ao longo da história, quantos santos não continuam a ser instrumentos do Espírito Santo para que o Amor de Deus continue a revelar-se à humanidade? Podíamos dizer, hoje, que o mundo continua a reconhecer os “influencers” do Amor de Deus”… São alguns destes “influencers” que te convidamos a conhecer mais profundamente:
- Segunda-feira: conhece e aprofunda o profeta Isaías. Cria um perfil, identificando quem é (ou quem são), quando e onde viveram, e qual a sua mensagem principal;

- Terça-feira: neste dia és convidado/a a conhecer João Batista. Cria o seu perfil, identificando os seus pais, onde viveu, o que anunciava/fazia e como morreu.
- Quarta-feira: neste dia, 23 de Dezembro, convidamos-te a conhecer S. Francisco de Assis, o criador do presépio. Para além de conhecer a sua vida, procura a carta apostólica do Papa Francisco Admirabile signum e vê como S. Francisco se inspirou para criar o presépio.


DESAFIO PARA O NATAL


Já tens os presentes preparados para oferecer? Junta-lhe um cartão com uma simples oração. Por exemplo, «Senhor, agradeço a presença do/a … na minha vida e que esta oferta seja também sinal da amizade de Deus, nosso Pai».

 

CELEBRAÇÃO DO NASCIMENTO DO NATAL


Quinta-feira, 24 de Dezembro
Oração da ceia de Natal
Antes do jantar, todos se reúnem à volta do presépio e a pessoa mais nova, com a imagem do Menino Jesus, prepara-se para substituir a Bíblia pelo Menino Jesus.
P - Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
T - Ámen.
P - «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor».
T - «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados»
P - Deus Pai, nesta noite em que o teu Amor se faz presente no meio de nós, pelo nascimento de teu Filho, nós te pedimos que venhas, de novo ao nosso encontro, e nos renoves na esperança e na comunhão.
T - Sabemos que esta pandemia nos limita e, por vezes, nos parece empurrar para as trevas do medo e da angústia, mas renovamos, aqui, a certeza de que és a nossa Luz e a nossa esperança.
E dirigindo-se para a mesa de jantar, todos prosseguem, com estas palavras:
P - Jesus, Verbo de Deus feito carne, fortalece-nos com o teu Espírito e abençoa esta mesa e todos aqueles que à volta dela celebram o teu nascimento. E que não esqueçamos, de modo especial, todos os idosos que vivem esta noite sozinhos, assim como todos os profissionais de saúde, segurança… que, trabalhando, dão a vida para possamos ter vida.
T - Pai nosso…
P - Bendigamos ao Senhor
T - Graças a Deus

Dia de Natal
Sexta-feira, 25 de Dezembro

Oração da mesa (almoço).
P - Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
T - Ámen.
P - «Vamos a Belém, para vermos o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer».
T - «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».
P - Os pastores, quando viram o Menino na manjedoura, começaram a contar o que lhes tinha sido anunciado acerca daquele menino.
T - «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».
P - Ao ouvir os pastores, Maria conservava todas essas palavras, meditando-as em seu coração.
T - «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».
P - E os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado.
T - «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».
P – Verbo de Deus, feito carne, vem habitar entre nós e renova, com o teu Espírito, a nossa esperança. E na humildade do presépio com Maria e José, dignai-vos a abençoar esta refeição e todos aqueles que se juntam à volta desta mesa.
T – Pai nosso…
P – Bendigamos ao Senhor.
T – Graças a Deus.

Solenidade de Santa Maria e Dia Mundial da Paz
1 de Janeiro

Neste primeiro dia do ano, a Igreja convida-nos a redescobrir 2 palavras fundamentais na felicidade do ser humano: esperança e paz. É o primeiro dia do ano e, na alegria do nascimento de Jesus, sentimo-nos renovados para abraçar um novo ano; uma esperança que não pode ser concreta se não se concretizar em gestos de paz. Contamos, para isso, com o exemplo de Nossa Senhora, Santa Maria, mãe de Deus.


Dinâmica
A Igreja propõe-nos uma Mensagem para este dia. Convidamos-te a ler a Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2021  e a escolher uma frase que te tenha chamado a atenção. Uma vez escolhida, partilha-a com a família, grupo de jovens e amigos. Porque não a colocar à mesa da refeição, no lugar de cada um? Ou, então, a enviar pelo WhatsApp ou publicar nas redes sociais? Sê criativo!

 

Oração de mesa
Senhor, fazei de mim
um instrumento da vossa Paz!
Onde houver ódio, que eu leve o Amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o Perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a União;
Onde houver dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver erro, que eu leve a Verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a Esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a Alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a Luz.

Oh Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido;
amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe;
É perdoando que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a Vida eterna.

Domingo da Epifania do Senhor
3 de Janeiro

A Igreja celebra, hoje, a solenidade que tradicionalmente designamos por “Dia de Reis”. É o dia em que meditamos na visita dos Reis Magos ao presépio de Belém, onde está o menino Jesus, nosso Salvador.

 

Dinâmica
Tens as imagens dos Reis Magos para colocar no presépio? Este é o momento: reúne a família e, lendo o número 9 da Carta Apostólica do Papa Francisco Admirável Sinal , completa e contempla o presépio.

 

Oração de mesa
P – Inspirados pelos Reis Magos, rezamos a oração do Papa Francisco, com a qual termina a Encíclica Fratelli Tutti, para que o Senhor nos abençoe e abençoe os alimentos que vamos tomar:
T – Senhor e Pai da Humanidade, que criastes todos os seres humanos com a mesma dignidade, infundi nos nossos corações um espírito de irmãos. Inspirai-nos o sonho de um novo encontro, de diálogo, de justiça e de paz. Estimulai-nos a criar sociedades mais sadias e um mundo mais digno, sem fome, sem pobreza, sem violência, sem guerras.
Que o nosso coração se abra a todos os povos e nações da Terra, para reconhecer o bem e a beleza que semeastes em cada um deles, para estabelecer laços de unidade, de projetos comuns, de esperanças compartilhadas. Ámen

Domingo do Batismo de Jesus
10 de Janeiro

 

Dinâmica
Sabes a data do teu batismo? Eis o desafio para este dia: celebra em casa o teu batismo e dos teus familiares e desafia o teu grupo de jovens e amigos a partilhar a data do seu batismo. Mais uma vez, sê criativo!

 

Oração de mesa
L – Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão. Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele. E dos céus ouviu-se uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência» (Mc 1, 9-11).
T – Senhor, à volta desta mesa, Te pedimos: renova-nos no amor e confirma-nos na caridade.
P - E porque nos sentimos, também nós, filhos muito amados de Deus, rezamos:
T - Pai Nosso...

Esta dinâmica de Advento e Natal foi preparada pelos Padres Vicentinos e Juventude Mariana Vicentina para que cada jovem, família, grupo de jovens e comunidade cristã possam voltar a fazer, de novo, a experiência de que o «amor é inventivo até ao infinito» (S. Vicente de Paulo).

SOBRE NÓS

S. Vicente de Paulo, o santo da Caridade, é o fundador da Congregação da Missão. Presentes em todo o mundo, estamos em Portugal desde 1717. Talvez nos conheça como Padres Vicentinos, Lazaristas ou Padres da Missão.

LOCALIZAÇÃO

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