Lições bíblicas

XXIV Domingo do Tempo Comum

“Errar é humano, perdoar é divino”. Tantas vezes já ouvimos e dissemos esta expressão popular... e, como batizados, fazemos muitas vezes a experiência de que viver o Evangelho esbarra, muitas vezes, na falta de saber perdoar. É este o tema que o Pe. César, CM, procura aprofundar na sua reflexão para este Domingo.

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Já todos ouvimos – e dissemos – esta expressão tão conhecida e popular. No fundo, queremos dizer que, se contarmos apenas com as nossas forças, não é fácil praticar o perdão.

Fazemos, pessoalmente, a experiência de que viver o Evangelho com coerência esbarra, muitas vezes, com a dificuldade que temos em perdoar. É um conflito que pode acompanhar-nos ao longo de toda a nossa vida. No entanto, não podemos fazer de conta ou olhar para o lado quando nos vemos confrontados com tantas recomendações de Jesus em relação à necessidade de perdoar ou de pedir perdão.

A pergunta que Pedro fez a Jesus não terminou bem. Não se trata de perdoar sete vezes, mas setenta vezes sete, ou seja, sempre.
Poderíamos referir outras passagens do Evangelho bem conhecidas: “quando apresentares a tua oferta (…) vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão (..)”; ou, então, na oração do Pai-Nosso, onde Jesus deixa bem clara a necessidade de perdoar para nos sentirmos, também, perdoados pelo Pai.

 

É precisamente este o tema que a liturgia da Palavra deste domingo quer aprofundar.

A primeira leitura é, desde logo, um convite à misericórdia para com o próximo. O rancor, a vingança e o ódio apoderam-se de nós com muita facilidade. Tomamos esse ‘veneno’ a pensar que vai fazer mal aos outros, mas, na verdade, somos nós que vamos sofrer com isso. A velha regra do ‘olho por olho, dente por dente’ não desapareceu. Ou melhor, pode ter desaparecido em teoria, mas na prática não. Combater essa atitude é um desafio que o Senhor, pela mão do autor sagrado, nos lança hoje e sempre. As recomendações de Ben-Sirá apontam, de certo modo, para aquilo que Jesus vai dizer, de forma definitiva, no Evangelho: para receber o perdão de Deus, é necessário que saibamos perdoar aos nossos irmãos.
 

Sabemos que não somos ilhas, somos seres de relação. Sabemos como são importantes aqueles que nos rodeiam. Mas também temos a perfeita noção de que nem sempre as coisas correm bem. Da nossa relação com os outros fazem parte as alegrias e os dissabores. Alcançar o equilíbrio não é tarefa fácil.

Para Jesus, age corretamente aquele que é capaz de perdoar. Não se trata apenas de esquecer… é muito mais do que isso. É compreender o outro tal como é, com as suas fragilidades e defeitos, amando-o sem condições. Quando Jesus proclama ‘Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia’ ou quando perdoa, no Calvário, àqueles que o maltratam, está a dizer-nos, claramente, qual deve ser a nossa atitude.
 

Não é uma proposta fácil, obviamente. A vingança, a fúria, a indiferença e a violência estão muito presentes no mundo em que vivemos. Umas vezes de forma descarada, outras de forma mais subtil ou silenciosa. Em qualquer dos casos, destrói a harmonia, a paz e a relação entre as pessoas.

Perdoar é difícil. Há quem diga abertamente que não consegue. Mas é importante perceber que perdoar não é algo instantâneo. É o desenrolar de um processo na decisão que tomamos de perdoar. Não pode ser resultado de pressão ou chantagem. Tem de ser sempre um ato livre e pessoal. Neste processo está a luta contra o nosso orgulho, o nosso egoísmo ou o nosso medo de perdoar.

 

É possível que os desafios que a Palavra de Deus nos lança neste domingo nos coloquem questões como estas: há alguém a quem preciso de perdoar? Há alguém a quem eu precise de pedir perdão? Quais as maiores dificuldades para que essa reconciliação se concretize? Por que razão não sou capaz? E muitas outras poderão surgir.

Uma das grandes ferramentas que nos poderá ajudar, se estivermos num processo de perdoar a alguém, é a oração. Aí, sim, poderemos confirmar como, de facto, ‘perdoar é divino’.

Pe. César Mendes, CM

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