Mulher com a Bíblia

REFLEXÃO DOMINICAL

XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A

«E vós quem dizeis que Eu sou?»

Manuel Martins

Padre Vicentino

“No meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias”, assim pedimos na oração colecta deste domingo. Para que isso aconteça é necessário que “o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis”.
Amar o que o Senhor nos manda e esperar a realização das promessas divinas é o nosso desafio constante para a meta final onde se encontram as verdadeiras alegrias.  


Os textos deste domingo ilustram-nos bem, com exemplos concretos como ser fiéis ao Senhor, fixando n’Ele os nossos olhos para amarmos o que Ele nos manda e nos promete.


1) O Evangelho de hoje apresenta-nos a Profissão de Fé de Pedro e, mais ainda, a verdadeira identidade de Jesus, o mestre nazareno que naquele dia conduz os seus discípulos a uma cidade pagã que adorava o deus Pã, onde Herodes manda construir um Templo em honra do Imperador e a quem o seu filho Filipe chamará de Cesareia. Portanto, numa cidade, onde numa gruta se adorava um ídolo – Deus Pã (=tudo) – e onde se prestava culto ao Imperador divinizado, Jesus é chamado o Cristo Messias, filho do Deus Vivo. Simão Pedro é firme na resposta que dá à pergunta incisiva de Jesus: “e vós quem dizeis que eu Sou?” É importante saber o que os outros dizem e pensam sobre a identidade de Jesus, mas para cada um de nós o que vale, é mesmo a adesão, o compromisso e a entrega pessoal em cada lugar e em cada momento.
Em resposta, Jesus muda o nome de Simão para Pedro, a pedra sobre a qual edificará a sua Igreja. Jesus, a pedra firme, a pedra angular rejeitada pelos construtores edifica a sua Igreja sobre Simão Pedro. No Antigo Testamento chama-se a Deus, a Rocha e o Rochedo (33 vezes) para significar a solidez do Seu amor fiel. Aqui neste texto Jesus chama Pedra – cefas – para sobre ele “construir a sua igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Simão Pedro é associado ao que a palavra “cefas” significa em grego, que é uma rocha firme, escavada, gruta que serve de refúgio e acolhimento contra o pânico (deus Pã), protegendo, abraçando e envolvendo com segurança e confiança.
Assim investido nesta missão de guardião, Pedro recebe as chaves do Reino dos Céus, para ligar e desligar (perdoar), constituído assim em homem de confiança da parte de Deus. Este “poder” das chaves será mais tarde – na última Ceia - apontado como serviço aos irmãos. Todavia, este “poder de ligar e desligar” é também conferido à Comunidade (Mt18,18). Os grandes deste mundo recebem as chaves do poder e quantas vezes são arbitrários e tiranos no seu uso.


2) Exemplo deste mau uso do poder é apontado na primeira leitura, a Chebna, administrador do palácio que iria ser destruído pelo seu mau desempenho; em seu lugar ficará o servo Eliacim o qual “será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá” e uma estaca firme. No entanto pelo que se diz nos versículos seguintes, neste este se comportou muito bem, por isso também essa estaca iria ceder. Não há dúvida que o poder cega; para bem o desempenhar não basta a honradez das palavras, mas a eficácia do amor concreto feito serviço e oblação a Deus e à comunidade.


3) O Salmo 137 cantando a misericórdia eterna de Deus ensina-nos que o Senhor é digno de todo o louvor porque nos responde quando o invocamos e aumenta a fortaleza da nossa alma. Ele é excelso e olha para o humilde, por isso nada teremos a recear contra os soberbos que Deus conhece de longe. Ele nunca nos abandonará.


4) Na segunda leitura, São Paulo contagia-nos com a sua admiração a propósito da “profunda riqueza, sabedoria e ciência de Deus” cujos desígnios são insondáveis e incompreensíveis os seus caminhos, conduzindo-nos à atitude serena do louvor e do êxtase perante o Senhor.


5) Ao vivermos estes dias de pandemia, de medos e incertezas, de coisas novas a surgirem todos os dias, mantendo-nos em atitude constante de alerta e de criatividade na adaptação às circunstâncias, somos desafiados a três atitudes:
- Não ter medo, mas confiar: Jesus é a nossa Rocha firme;
- Muito mais do que palavras e promessas vãs o Senhor exige de nós acções concretas de promoção da justiça e do bem;
- O Senhor não nos abandona, pelo contrário, nos inspira e nos dá os meios para enfrentar os desafios ou insídias tentadoras do mal que nos circunda.


Os três verbos a conjugar por cada um de nós nesta semana deveriam ser: CONHECER – SERVIR – ADORAR.

Voltar a Reflexão Dominical Ano A | Ano B | Ano C

SOBRE NÓS

S. Vicente de Paulo, o santo da Caridade, é o fundador da Congregação da Missão. Presentes em todo o mundo, estamos em Portugal desde 1717. Talvez nos conheça como Padres Vicentinos, Lazaristas ou Padres da Missão.

LOCALIZAÇÃO

(+351) 213 422 102 | 217 263 370

 

Estrada da Luz, 112-1º

1600 - 162 Lisboa

 

comunicacaoppcm@gmail.com 

CONTACTE-NOS
  • Facebook
  • Instagram
  • YouTube
APONTADORES

© 2020 por Província Portuguesa da Congregação da Missão.