Mulher com a Bíblia

REFLEXÃO DOMINICAL

XX DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A

«Todos convidados para a Casa do Senhor»

Horácio Gomes

Padre Vicentino

A Palavra de Deus deste Vigésimo domingo do TC abre o coração de Deus a todos os povos da terra. Ninguém é excluído. Ninguém fica de fora. Todos têm a possibilidade de entrar na Casa de Deus como lugar de oração e de encontro com Deus e os Irmãos.


1.    As experiências duras e inesperadas da vida trazem sempre algo de novo às nossas vidas. Nem tudo são lamentações e derrotas. O profeta Isaías, na 1ª leitura, lembra o que aconteceu ao Povo de Deus com a experiência do exílio. O exílio foi tempo de reflexão, de encontro interior com Deus e com os valores perdidos. O exílio tornou-se tempo de reencontro com o Deus da Aliança. Com o Deus da justiça e do direito. A dura experiência do exílio e da escravidão, na Babilónia, fez com que o povo de Israel se abrisse a outros povos e a outras culturas e reavivasse a Aliança com Yavé. 
Ao celebrarmos neste Domingo, o Domingo das Migrações com a Pastoral da Mobilidade Humana, estamos a aprender com o Povo de Deus a acolher bem para sermos, também, bem acolhidos. A Celebração em Fátima deste acontecimento migratório com todos os riscos que acarreta em deslocação de pessoas e famílias é uma aventura de amor no respeito pelo direito e a prática da justiça. Por isso o profeta Isaías tem palavras de carinho e abertura para com os estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos …hei-de conduzi-los ao meu santo monte, hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. A Igreja como casa de oração e espaço de acolhimento, reúne todos os povos sem distinção de raça, povo ou cultura. Por isso é que o refrão do salmista é um desafio ao encontro universal e definitivo com o Deus do universo quando aclama: Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.
A experiência da pandemia por que todos estamos a passar traz ao nosso século uma nova experiência de exílio pelo afastamento e isolamento / confinamento/ das nações, das famílias e das pessoas. Mas a Aliança universal continua no horizonte das nações, dos povos e das famílias. 

 

2.    A experiência da rejeição de Jesus por parte do povo fez com que Paulo fizesse uma leitura positiva da rejeição da pessoa de Jesus. A catequese de Paulo aos Romanos é um desafio a quem aceita e a quem rejeita a mensagem. Paulo diz aos judeus: fiz-me Apóstolo dos gentios porque os da minha raça rejeitaram a Palavra de Deus. Quero ver se provoco o ciúme dos homens da minha raça e salvo alguns deles. Duma rejeição resultou a reconciliação do mundo e a sua reintegração é uma ressurreição de entre os mortos. Vós que éreis desobedientes alcançastes misericórdia devido à desobediência dos judeus.
O nosso povo traduz estas atitudes opostas e que trazem resultados novos com este provérbio:” Deus escreve direito por linhas tortas”. Aquilo que parecia levar ao desastre e à destruição total trouxe valores. Da morte nasceu uma vida nova. Pela morte de Jesus chegámos à Ressurreição.
O Papa Francisco num pequeno livro de reflexões com o título: VIDA após a Pandemia, procura alertar para desafios novos para o mundo, para a política, para a economia, para a Igreja, para as famílias e a sociedade que a COVID19 está a provocar. Diz o Papa: “o que está a acontecer abala-nos por dentro, e faz que todos se reconheçam “como parte de uma única família e se apoiem mutuamente. É tempo de remover as desigualdades, sanar a injustiça, a que mina pela raiz a saúde da Humanidade inteira”. Chegou o momento de nos preparamos para uma mudança fundamental no mundo, após a COVID”. (pag. 9). O Papa continua: Agora diante da pandemia, temos vivido, ampla e vividamente a nossa interligação na vulnerabilidade. Grande parte da Humanidade respondeu a esta vulnerabilidade com determinação e solidariedade, para fazer face às nossas ameaças maiores e a mais longo prazo. (p.10)… Depois do que já passámos este ano, não devemos ter medo de nos aventurarmos por novos caminhos e de propor soluções inovadoras. (p.11).

 

3.    A experiência de fé duma mulher Cananeia abriu a uma experiência de fé universal.
Uma mulher cananeia gritava atrás de Jesus: “Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. A minha filha está doente. Está cruelmente atormentada por um demónio.” A doença, culturalmente, era explicada pelo demónio, isto é, consequência do pecado. Uma vez liberta do pecado ela ficava curada. O diálogo de Jesus com esta mulher foi extraordinário. Às escusas ou desculpas de Jesus, ela encontrou sempre resposta. Jesus ficou vencido com as respostas de fé e confiança desta mulher no seu poder divino. Jesus perante a prova de fé desta mulher “estrangeira”, porque não era de raça judia, respondeu-lhe: “ Mulher é grande a tua fé. Faça-se como desejas”. E o evangelista S. Mateus conclui: “ E a partir daquele momento a sua filha ficou curada”. Os Israelitas pensavam que eram donos de tudo e que só eles é que valiam. A rejeição dos valores de Deus por parte de uns abriu caminhos novos que culturalmente estavam fechados a outros.

 

Conclusão. Três experiências negativas de vida e de fé que trouxeram valores novos à Humanidade, à Igreja e à Cultura. Que as experiências dolorosas que estamos a viver com a pandemia não enfraqueçam a nossa fé individual, familiar e eclesial. 
 

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