Mulher com a Bíblia

REFLEXÃO DOMINICAL

XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A

«Tende Confiança. Não Temais»

Pedro Guimarães

Padre Vicentino

A liturgia da Palavra deste Domingo convida-nos a contemplar a experiência do encontro com Deus. Em especial, a primeira leitura (1Re 19, 9-13) e o Evangelho (Mt 14, 22-33) narram-nos dois exemplos de encontro que cada um de nós também é chamado a viver. Centrando-nos no Evangelho, vemos como os discípulos, dentro de um barco, a meio da noite, lutando contra a força das ondas e o vento contrário, são surpreendidos por Jesus que, caminhando sobre as águas, vem ao seu encontro. Gritando com medo, os discípulos, ouvem da boca de Jesus: «tende confiança. Sou eu. Não temais» (Mt 14,27). Deste encontro entre o medo e a confiança, resulta uma ação de Pedro que, dirigindo-se a Jesus, pede para ir ter com Ele, atrevendo-se a caminhar sobre as águas. Mas, a determinado momento, falta-lhe a fé e começa a afundar-se e grita: «salva-me, Senhor» (Mt 14, 30-31).

 

Trata-se de um Evangelho que, neste contexto de pandemia, faz com que revisite aquela imagem única do Papa Francisco na Praça de S. Pedro, no dia 27 de março. O Papa, partindo do Evangelho de Marcos que também narra esta passagem da tempestade (Mc 4, 35-41), convidava a humanidade a reler o que está a acontecer à luz deste encontro dos discípulos com medo e de Jesus que, dormindo, vai com eles no barco e lhes pede que tenham confiança. 

 

«Tende confiança. Sou eu. Não temais». Penso, sobretudo, nas tempestades que violentamente fragilizam a nossa vida, as nossas seguranças e nos fazem recear o futuro. Pensemos, por exemplo, no que aconteceu no Líbano: para além da crise económica que vive e da pandemia mundial que nos limita, foi assolado por uma tragédia que, não só destruiu uma cidade, mas fragilizou gravemente os pilares do país. Diante disto, onde colocar a confiança? Quem ouvir? Quem procurar? Acontece, hoje, com os libaneses, e seguramente, ainda que noutras circunstâncias, já aconteceu connosco: debatermo-nos com uma enorme tristeza, mas também sentirmos um desejo de lutar, de ultrapassar a situação porque o amor foi derramado nos nossos corações (Rom 5, 5). Ou seja, há uma força de vida nova a querer germinar nestas alturas que não pode ser sufocada. E é esta experiência que nos leva a escutar, de novo, estas palavras de Jesus que nos alimentam de esperança e renovam o desejo de viver. Um encontro que urge resgatar, pois, não faltam vozes e testemunhos que preferem a escuridão à vida e o individualismo à corresponsabilidade na construção do bem comum e do Reino dos Céus. É necessário fazer a experiência que a primeira leitura nos narra: Elias, refugiado e com medo, reconhece a presença de Deus na brisa suave que passa (1Re 19, 12-13).

 

«Salva-me, Senhor». Este grito de Pedro dá voz a todos aqueles que reconhecem que a vida é um tecer de relações: não me salvo sozinho. Ou seja, não posso ser feliz e dar sentido à minha vida sem os outros e, sobretudo, sem Deus. Sempre me impressionou a personalidade de Pedro e a forma como ele, sempre em grupo, é o primeiro a agir. Talvez porque pensava que se conhecia bem a si próprio (forças), mas o que assistimos, seja neste episódio, seja em todos os outros, é que Pedro só se conheceu verdadeiramente a partir do encontro com Jesus: «salva-me, Senhor» (Mt 14, 30); «tu sabes tudo, sabes que te amo» (Jo 21, 17)… Neste episódio em que se vai afogando, Pedro percebeu que sozinho perde o pé e só com a mão de Jesus consegue caminhar e, assim, descobrir e viver a sua vocação. Pedro, revela, desta forma, aquilo que podíamos definir como um constante caminho de conversão que o fez dar a vida. 

 

Uma viagem que marca a vida da Igreja e dos santos… veja-se, por exemplo, Edith Stein (Santa Teresa da Cruz) que a Igreja hoje celebra: a sua conversão resulta da busca pelo sentido último da vida que encontra resposta na cruz de Cristo como sinal de verdade, amor e vida plena…  Julgo que é interessante, neste tempo, repensar o nosso encontro com Jesus a partir deste duplo conhecimento: «quem sou e para quem sou eu» (Papa Francisco, Exortação Apostólica Cristo vive, n. 286) Uma peregrinação interior que requer tempo, silêncio, oração, relação, caminho… Algo que o mês de agosto pode permitir, assim o desejemos!

 

Que eu Te reconheça, Senhor, em cada momento da minha vida e que a tua presença renove a minha disponibilidade para Te escutar e seguir. 

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