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S. Vicente de Paulo, o santo da Caridade, é o fundador da Congregação da Missão. Presentes em todo o mundo, estamos em Portugal desde 1717. Talvez nos conheça como Padres Vicentinos ou Padres da Missão.

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Entre nós

O Pe. Nélio propõe-te um olhar vicentino sobre a Palavra de Deus
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  • A bandeira da liberdade é agitada com veemência nos mais diversos recantos do mundo. As grandes revoluções são fruto de uma aspiração partilhada por homens e mulheres mobilizados por um desejo coletivo de uma vida livre, que não se resigna nem se deixa amordaçar por sistemas políticos opressores, nem propostas económicas escravizantes, mesmo que se sejam revestidas de promessas grandiosas. Em cada homem persiste o sonho da poetiza: «Esta é a madrugada que eu esperava / O dia inicial inteiro e limpo / Onde emergimos da noite e do silêncio / E livres habitamos a substância do tempo». A liberdade é vista como a terra onde a felicidade germina. Felicidade e liberdade são duas faces da mesma moeda. Na história da Igreja, Paulo é um tenaz advogado da liberdade cristã. Não terá sido fácil. Com efeito, a comunidade primitiva era constituída por judeus e não se compreendia sem a referência à lei veterotestamentária. Nela tudo estava regulado. Na nova ordem, porém, a leitura da realidade, a partir do olhar da fé no Ressuscitado, suscita uma problemática que, em grande parte, durante algum tempo, divide a comunidade: os preceitos antigos como a circuncisão e as restrições alimentares, entre outros, deverão ser impostos inclusive aos não judeus agora convertidos? A observância escrupulosa da antiga lei seria um requisito indispensável para a salvação? Paulo opõe-se terminantemente aos que defendem a obrigatoriedade do cumprimento da lei. E lembra-lhes que, desta forma, voltavam a ser escravos quando, na realidade, Cristo os tinha libertado. Lembra-lhes, ainda, que a lei do amor ao próximo é o princípio que resume todas as leis. Mais tarde, encontramos ecos deste princípio no pensamento de autores como Santo Agostinho, no famoso axioma «ama e faz o que quiseres». Portanto, «se calas, cala por amor. Se falas, fala por amor. Se corriges, corrige com amor. Se perdoas, perdoa com amor. Põe no fundo do coração a raiz do amor. Dessa raiz, não pode crescer senão o bem». Noutra perspetiva, São Tomás de Aquino associa o amor ao desejo de que o amado se realize plenamente: «Quero que tu sejas». Esta realização só é possível num contexto de liberdade. Percebemos então que o amor e a liberdade são elos de uma cadeia invisível que nos aproximam de Deus e do próximo. E liberdade sem amor não é liberdade, como amar sem ser livre não é amar. Quando nos afastamos deste encadeamento, tendemos a procurar compensações legalistas como quem procura um placebo, num vão de escada, para um problema cujo diagnóstico não queremos saber. E reforçamos a maquiagem para parecermos bonitos aos olhos do mundo. Mas, no final do dia, confrontados com a nossa solidão, reconhecemo-nos escravos e infelizes. Talvez seja oportuno, nos dias que correm, orar pela liberdade, pois «foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou».
  • Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (11, 1-13) Naquele tempo, estava Jesus em oração em certo lugar. Ao terminar, disse-Lhe um dos discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João Baptista ensinou também os seus discípulos». Disse-lhes Jesus: «Quando orardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação’». Disse-lhes ainda: «Se algum de vós tiver um amigo, poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque chegou de viagem um dos meus amigos e não tenho nada para lhe dar’. Ele poderá responder lá de dentro: ‘Não me incomodes; a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados e não posso levantar-me para te dar os pães’. Eu vos digo: Se ele não se levantar por ser amigo, ao menos, por causa da sua insistência, levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa. Também vos digo: Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á. Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!». Palavra da salvação.
  • Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (10, 38-42) Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada». Palavra da salvação.